A vida de uma garota de 30 anos

2 meses de blog!

A partir de certo ponto não há mais retorno. É este o ponto que tem de ser alcançado.1


Uau! Gente, 2 meses de blog. Se alguém me dissesse, no início, que eu manteria vivo um blog por 2 meses, e que, nesse meio tempo, pessoas passariam a lê-lo, eu com certeza não acreditaria! Se um gênio da lâmpada do futuro me dissesse que, nesses 2 meses, mais de 1.000 visitantes passariam por essas páginas e gastariam o seu precioso tempo para me enviar mensagens incríveis sobre as coisas que eu escrevo aqui, eu pensaria que o gênio era louco! Só poderia ser um erro. Já imaginaram o que é um bebê de 2 meses receber mais de mil visitas? Coisa de maluco! E qual é a minha emoção quando eu vejo que isso não é loucura de gênio, mas a minha vida, a realidade? Sem palavras... gente, muito, muito, muito obrigada!!

Talvez vocês não saibam, mas é por causa de vocês que eu estou começando a acreditar que é possível encontrar gente que se interessa pelo que eu falo, penso, sinto. E que, é graças a vocês, que me sinto cada dia mais confiante para me colocar também no mundo, com pessoas de carne e osso diante das quais eu sempre me mantive um tanto acanhada, quase como se a minha presença sempre dissesse “deixa pra lá”. O problema desse “deixa pra lá” é que muitas vezes o “lá” é justamente aquele momento em que a gente fica sozinho e pensa: eu devia ter falado isso isso e aquilo mais. Pois é, vocês estão me dando coragem... minha palavra preferida quando eu tinha lá os meus 15 anos. Quando a gente cresce, a gente se torna mais cagão, já repararam?



Ontem foi um dia intenso para mim. Montanha-russa total. Daqueles dias em que você sente e faz de tudo. Fiquei com muita raiva, telefonei para xingar, discuti e me mantive firme. Ao mesmo tempo, tive que lidar com as pessoas ao meu redor, que eram gentis e solícitas, mas que não podiam fazer nada diante da minha raiva, que era problema meu. Pus pra fora, soltei os cachorros em cima do problema. E, agora, o problema voltou para casa e estamos todos de mau humor.

Depois de algumas horas, tive outra conversa difícil, com outra pessoa. Precisei explorar sentimentos, me abrir, deixar a ferida acesa. Nos entendemos. Alívio, choro. Felicidade, talvez.

Depois disso não tinha mais como trabalhar. Saí para tomar um chocolate quente aqui perto e ler um pouco. E, assim, o arquivo da editora que eu tinha imaginado terminar ontem ficou para hoje – me tirando um dia da folga que eu tinha conseguido entre sexta e domingo. Pretendo finalizar esse arquivo hoje e aí é só relaxar por 2 dias e mais algumas horas.



Ontem foi um dia intenso com as pessoas. De vez em quando, eu me sinto de saco cheio das pessoas. Eu nunca sei se esse saco cheio é dessas pessoas específicas ou das pessoas em geral. Seja como for, já disse que vocês estão sendo riquíssimos em me mostrar outras possibilidades.

E é incrível como o Bear Blog tem me colocado diante do espelho! O espelho múltiplo, quebrado e caleidoscópico que me mostra que cada um é cada um. Eu amo ver todos os blogs de vocês e acompanhar de pertinho mesmo. Me dá uma felicidade imensa ver com os meus próprios olhos que aqui encontramos lugar para ser quem somos, para personalizar as páginas, escolher as cores, as fontes, as fotos, os textos. E, por fim, o que para mim é o máximo: que podemos falar sobre o que desejamos e, quem sabe, encontrar até interlocutores para uma conversa.

Adoro quando os textos entram em uma espécie de convergência, e temos várias pessoas, de vários lugares, com as mais variadas vidas, falando sobre assuntos de forma complexa, sem reduzir sentimentos, valores, desejos. Eu amo que aqui somos inteiros, e a mesma pessoa pode falar de vários assuntos. Que aqui somos contraditórios, porque em um dia estamos felizes, no outro, tristes. Em um dia queremos escrever muito, no outro, estamos irritados com o mundo. Eu amo isso tudo, todos os dias, os bons e os ruins, os meus, os seus e os nossos.



Mas, mesmo amando tudo isso, como eu disse para vocês, de vez em quando eu fico de saco cheio das pessoas. E aí, o que eu faço? Uma coisa muito instintiva, que pratico desde criança: assisto a documentários sobre animais e vida selvagem no geral. Essa é uma coisa que me recarrega as energias, me acalma a cabeça, me faz parar de pensar em insanidades!

Ontem foi o dia de assistir ao História de um gorila, com David Attenborough. Eu gosto de assistir a tudo que tem David Attenborough. E, em Verônica e os pinguins, de Hazel Prior, livro que eu também li quando estava de saco cheio das pessoas, me peguei adorando o tal do Sir Robert Saddlebow, homenagem clara ao Sir David Attenborough. Agora estou a fim também de me aprofundar mais na vida dele e de outros zoólogos e naturalistas. Quem sabe até dar uma folheada com mais calma em Darwin, que sempre tive curiosidade.


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Acontece que, a não ser por Darwin, é muito raro encontrar para ler material mais extenso sobre esses personagens da vida real e animal em português. Por isso, ontem, no calor do momento, me propus a fazer uma coisa: estudar um pouquinho de inglês por semana com esse tipo de livro, que aborda a vida animal e esses naturalistas que eu tenho tanta admiração. Já me choca a disposição física do corpo dessa gente! Eles conseguem ficar dias a fio no meio de uma montanha, com câmeras, barracas, alimentos, apetrechos e tantas outras coisas que a gente nem sabe, só para conseguir um mero contato com essas criaturas fantásticas!!

Então, ontem, depois do documentário, comprei um livro em inglês que fiquei com muita vontade de ler e que eu vi que é de um nível intermediário-fácil. Há muito tempo eu não paro para estudar inglês de forma organizada, e talvez eu esteja um pouco enferrujada. Depois conto para vocês como as coisas andam nesse caminho.

Tudo isso porque é muito bom poder se perder em coisas que não são humanas. Lá, ficamos apreciando esses olhos mudos dos animais – que, muitas vezes, também funcionam como espelho caleidoscópico de nós.

De vez em quando, eu quero apenas ser, como esses olhos.


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Inicialmente o texto de hoje seria para contar um pouco para vocês sobre como eu faço para escrever todos os dias. Mas, ironicamente, a partir de hoje vou me dar uns dias de folga aqui do blog, porque finalmente consegui o meu final de semana de folga da editora – e pretendo conseguir outros mais. E, assim, com toda essa montanha-russa de emoções do dia de ontem, com a promessa do estudo de inglês, com a lista de coisas que eu tenho que cumprir e a vida de David Attenborough em mente, vou fazer algo que sempre fiz na minha vida antes de começar esse blog, mas que, pela contingência das coisas, não fiz mais – vou passar uns dias sem telas. Ver a vida com os meus olhos.

Mas não se preocupem, pois eu volto em breve, muito provavelmente na segunda, quando também já estarei aqui para o trabalho. Aí também falarei sobre como faço para escrever todos os dias. Creio que, em relação ao blog, segui a recomendação de Kafka: atingi um ponto em que não há mais retorno. Que sorte!




Sei também que essa pequena pausa será boa para todos aqueles que querem ler os textos passados (como eu sei que vocês fazem, porque vocês me contam e eu leio tudinho) e que precisam retomar o fôlego. Respirem amplamente, meus amigos, e até breve!


Com amor,


Uma garota de 30 anos



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  1. Franz Kafka. Aforismos reunidos. Tradução de Modesto Carone. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2012. p. 12.