A vida de uma garota de 30 anos

A beleza dos verdes (ou Naruto 4ever)

Desde quando comecei a apreciar o mundo da animação e, principalmente, da animação japonesa, fico embasbacada com o uso dos verdes. Quando a gente estuda arte, em qualquer tipo de técnica, do lápis de cor à tinta a óleo, é muito comum ouvir artistas dizerem que o verde é a cor mais difícil de trabalhar. Eu acredito que seja pelo fato do verde ser, em si, uma mistura, o que torna sempre mais difícil prever o seu comportamento com as outras cores. Já ouvi muitos aquarelistas dizerem que preferem fabricar seus próprios verdes, em vez de comprar as tintas prontas, pois o aspecto fica mais natural. Já testei isso na prática e realmente faz bastante sentido. As cores ficam menos vibrantes e mais “realistas”.

Mas, no mundo das animações, nem sempre é útil um verde “realista”. Às vezes, importa mais um verde “forçado” para alguma outra coisa, um verde-azul, verde-amarelo, verde-turquesa e até o verde com roxos, violetas e lavandas. Essa atitude vai na contramão do que muitas vezes se busca atingir com essa cor, que é, como eu disse, algo mais tímido, neutro, quase como se ele não estivesse realmente ali. Ainda não entendi de maneira técnica como esses artistas conseguem atingir tal vivacidade de verdes.

Vejam, por exemplo, alguns estudos de background e de concept art de Meu amigo Totoro (1988) para vocês visualizarem o que eu digo.


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Impressiona que em Naruto (2002), um anime produzido em um ritmo insano, o uso dos verdes e a produção de backgrounds tenham uma magnitude artística que não fica devendo em nada para as obras do Studio Ghibli. É importante também frisar que, originalmente, os episódios iam ao ar semanalmente. Por isso, é perceptível que alguns são menos refinados artisticamente e feitos com menos capricho. No entanto, os episódios épicos, como os da batalha na Floresta da Morte, durante o exame chunin, são de uma beleza incrível. E vejam os verdes!! A minha mistura preferida é a desses tons mais escuros, que unem o verde com um quase-roxo. Na minha mente, essas cores imediatamente se associam ao encontro dos garotos com Orochimaru. Isso que é “identidade visual”!




Ontem foi noite de lámen, silêncio, luz baixa, Naruto e aquarelas. Delícia total!

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Depois de assistir a alguns episódios e acompanhar o Naruto sofrer pelo Sasuke pelo milésimo dia seguido, fiquei com vontade de pintar umas aquarelas inspiradas no anime. Acho que já deu para notar que eu tenho uma coisa com a relação Naruto-Sasuke, né? Até incluí o famoso diálogo deles na Floresta da Morte, nas imagens acima, mesmo quando aquela cena não mostra os verdes em questão. É porque essa frase também é parte crucial da atmosfera criada ali. A propósito de gracinha, deixo essa fanart do Naruto com o Sasuke que vi ontem no Pinterest. Fofos.


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Pintei duas aquarelas de paisagens, que no mundo da animação são chamadas de background. Essas paisagens são como o fundo da cena onde os personagens vão ser encaixados depois. Procurei essas duas referências e tentei reproduzi-las em aquarela1.


Descrição

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Descrição

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Nelas, eu produzi os meus verdes, e evitei usar, no início, o verde pronto da pastilha. Mas noto que, para conseguir um verde mais vivo, talvez eu tenha que obtê-lo das tintas prontas mesmo. Ao contrário da aquarela “realista”, o mundo da animação busca construir um mundo de imaginação, de exagero, tanto no desenrolar das histórias quanto nas escolhas artísticas. Em nenhum lugar do mundo existe um verde como os de Meu amigo Totoro ou de Naruto, e talvez seja justamente por isso que a gente fica tão hipnotizado com essas imagens.

“A grama do vizinho é sempre mais verde do que a nossa”. Não é o que dizem? Talvez não seja mera coincidência que Meu amigo Totoro, em inglês, foi traduzido para “Meu vizinho Totoro”. E quem me dera morar em Konoha e ter Naruto e Sasuke como meus vizinhos. Ah! Como a vida seria mais verde...



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  1. Nota mental: treinar pintura de árvores, dentro e fora das paisagens. E lembrar que é claro que o resultado ficará bem diferente: se trata mais de uma leitura aquarelística daquelas paisagens, que são, no final das contas, refinadas também no meio digital.