Como andam as coisas #2
Eu quero saber
A quantas anda você
[...]
Se cantando no chuveiro, se achando estrela
Se arriscando em concursos de karaokê
Ou vestida numa casca de banana nanica
Na pista de dança ao som de Beyoncé...1
Sangue, enxaquecas, inchaço, cólicas. Uma indisposição física total, mas feliz de espírito.
O trabalho exige igual. A vida nos anuncia como se nós fôssemos sempre as mesmas. Toda menina e toda mulher já deve ter se perguntado, ao menos uma vez na vida: como seria o mundo se os homens menstruassem? Folga de uma semana garantida todo mês?
Já que hoje estou com limitações físicas, apesar do espírito feliz, espero que entendam esse texto com pouca coisa a acrescentar.
Como fui promovida no trabalho, já gastei uma parcela do meu dinheirinho em (adivinhem!!) livros novos. Estou nesse tema de natureza, animais, plantas etc. e tal. Deixo fotos para vocês dos meus novos amigos. Se me der na telha, vou comentando um pouco das leituras aqui com vocês.


Percebi também que estamos sempre em uma espécie de sintonia aqui no Bear. Noto que de vez em quando alguns textos conversam uns com os outros, e vocês já sabem que eu acho isso o máximo.
Por isso, sei que, recentemente, me acompanham nessa sina dos animais alguns amigos:
Não quero que os insetos sumam, da Diel. Aborda as lagartas, as borboletas e as suas relações com as plantas.
Receita de molho de pimenta do bom, do th. Traz algumas curiosidades sobre pássaros e pimentas.
Os insetos resistem à nossa fome, do hugurso. Fala sobre a relação dos humanos com os insetos, de como nos apropriamos deles e de como eles nos mostram que sempre há “vida inútil” em alguma parte.
Trabalhos de merda ao nível dos insetos, também do hugurso. Apresenta suas reflexões enquanto lê David Graeber.
Inclusive, sobre esse último texto do hugurso, me lembro perfeitamente do dia em que soube da morte do David Graeber. Foi para mim uma coisa assim chocante mesmo. Admiro o seu trabalho há sei lá quantos anos... talvez desde antes dos meus 20. Sempre achei que ele fosse um daqueles espíritos que viveria muito. Uma pena! Mas a sua obra continuará, para sempre, instigante, maravilhosa, desconcertante.
Por fim, estou conseguindo cada vez mais estabelecer limites saudáveis para mim no trabalho. E, depois de um dia cheinho de correções e validações de revisão, pude finalmente me render ao Naruto.
Agora estou chegando ao meio da sexta temporada e a cada dia estou mais encantada pela relação criada entre Sakura e Tsunade.
Tsunade, mais velha, orientadora, casca grossa, bruta no trato. Para Sakura, tudo é um “ai, meu deus!”. Apaixonada, dedicada, em formação. Que laço incrível que as duas estão formando!
Sakura chegou no momento da vida em que quer se dedicar ao máximo para seus projetos e sua própria potência. Quer crescer, se tornar mais forte, inteligente, decisiva. Busca auxílio com a sábia (ou ao menos sábia à sua maneira) Tsunade.
Aqui, Sakura consegue pela primeira vez fazer um peixe voltar à vida, por meio da medicina ensinada pela sua nova tutora.


Agora, cá entre nós: não chega a ser um embuste que todo esse arco é considerado, pelos guias e pelos fãs de Naruto, como episódios filler, ou seja, sem importância, que podem facilmente ser pulados? Justo o arco de desenvolvimento dessas personagens femininas, no qual Sakura e Hinata começam a descobrir o alcance de seus poderes, é considerado dispensável? Ah, me poupem!
É também nesses episódios que a Vila da Folha fica pela primeira vez sob o comando de uma mulher, que está, ao mesmo tempo, aprendendo a dar os seus primeiros passos como líder. Seus erros e acertos são vistos, pelo público em geral, como episódios à parte, sem importância para a história.
Não me levem a mal. Eu, mais do que tudo, sou perdidamente apaixonada pelo arco Naruto-Sasuke. Tanto é que, até hoje, fico prometendo que vou falar disso aqui no blog e nunca falo. É porque isso mexe comigo em camadas emocionais mesmo, de chorar de beleza, de maravilhamento, de dor. Não é brincadeira.
Dito isso, até eu mereço alguns dias de folga desses dois, gente! Que densidade emocional, que profundeza sem fim, que ápice de tudo!!!
Ficamos nos perguntando, depois de nos acabarmos nesse caminho de intensidade total: como seria, então, uma vida sem Sasuke? Para o Naruto, ao que tudo indica, não é vida de verdade, uma vez que ele não para de evocar a ausência de seu preferido. No entanto, é delicioso poder acompanhar a relação de Naruto, dos outros garotos e dos grandes ninjas com essas mulheres – como eles se comportam com elas, e como elas, enfim, passam a conduzir a vida para outra direção.
Por fim, dizem que esses episódios são filler porque não contam a história da grande guerra, não desenvolvem a trama desse grande confronto etc. e tal. Pode ser verdade. Mas não é incrível que Kishimoto tenha arranjado espaço para responder à preciosa pergunta: o que os guerreiros fazem em tempos de relativa paz? Ah! é preciso um olhar daqueles para responder a esse tipo de questão. Para não perder o costume: Nietzsche diria que é nesse período que os guerreiros se voltam contra si mesmos2.
Não é justamente esse período de paz que fará com que as coisas atinjam tamanha tensão e terminem por desaguar na tão adorada grande guerra?
É preciso calma, meus amigos! Tudo no seu tempo.
Por ora, podemos tomar fôlego, junto com os peixes de Sakura, enquanto deixamos os nossos corpos se recuperarem, também, da gloriosa menstruação.
Beijos,
Uma garota de 30 anos
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