Filmes e filmaços
Para mim, só existem dois tipos de filme: os filmes e os filmaços. Traduzindo para uma linguagem mais compreensível, se eu tivesse um perfil no Letterboxd (que eu confesso para vocês que na verdade nem sei sobre o que se trata esse apetrecho), eu só daria 4 ou 5 estrelas. O que fica abaixo disso, não levo em consideração.
Mas o que diferencia, para mim, um filme 4 estrelas de um filme 5 estrelas?
Ganham 4 estrelas os filmes nos quais o diretor se propôs a fazer uma coisa e essa coisa funcionou. Não importa muito o gênero, a ideia, o enredo.
Se propôs a comover e comoveu? 4 estrelas. Se propôs a me fazer chorar e saí da sala do cinema me debulhando em lágrimas? 4 estrelas. Se propôs a me oferecer o casal mais clichê de comédia romântica e me fez sentir essa forma de amor que é, ao mesmo tempo, tão irreal, mas, de certa forma, desejada? 4 estrelas. Se propôs a criar um enredo sombrio e me fez prender a respiração? 4 estrelas. Se propôs a trazer em cena os super heróis mais manjados do mundo e me fez torcer para o bem contra o mal? 4 estrelas.
Nesse quesito, sou generosa e não tenho muito apego com as minhas notas. Não é difícil me conquistar. Mas tem que ser de verdade, ou seja, a coisa tem que ser bem feita. Não gosto de perceber que o filme não está à altura da proposta.
E o que faz, para mim, um filme 5 estrelas? Quando a proposta do filme também me agrada de maneira pessoal. E porque “eu” seria tão importante assim nessa equação? Ora, porque a avaliação é minha! Mas como ninguém tem a obrigação de me agradar, também entendo que eu posso ficar desgostosa e o filme, ainda assim, ser muito bom. Na verdade, de vez em quando, se eu sinto que o filme é um filmaço e, mesmo assim, ele não cabe no meu gosto, ainda assim dou 5 estrelas.
De modo que eu crio, consequentemente, a categoria super ultra plus, que é a categoria 5 estrelas com um coração ao lado (★★★★★♥). Esse sim: é todo meu.
Por exemplo, agora mesmo acabei de assistir ao filme Assunto de família (2018), de Hirokazu Kore-eda. O filme é muito bom e trata de assuntos difíceis de uma maneira excelente. Mas não fez o meu coração se derreter de amores. Seria um 4 estrelas. Agora, Monster (2023), do mesmo diretor, é daqueles que a gente sai da sala de cinema querendo gritar no meio da rua. 5 estrelas com coração ao lado.
Outro diretor que me encanta muitíssimo é o Wes Anderson. Sinto que, entre os seus filmes, temos aqueles sobre os quais falamos “puta merda, isso é Wes Anderson”, e alguns sobre os quais dizemos: “é, mais um filme do Wes Anderson”.
Eu não assisti a todos os filmes desse diretor e também não tenho tanto apreço por manter uma sistemática para ver filmes: não sigo cronologias ou calendários de premiações. Vou no que me der na telha. De maneira que, mesmo que eu acredite que o filme mais famoso de Anderson seja O grande hotel Budapeste (2014), esse foi um dos últimos de sua filmografia ao qual assisti. Para mim, um filme 4 estrelas, por mais que muitas listas sempre o coloquem como “o filme do Wes Anderson”.

A proposta está ali. Tudo é maravilhoso e perfeitamente executado. Mas O grande hotel Budapeste, por mais magnífico que seja, não me conquistou de corpo e alma. Prefiro, e aqui posso contrariar muitos fãs desse diretor, pois este é um dos menos queridos por aí, Asteroid City (2023).
É porque qualquer coisa que fala de espaço sideral já me ganhou na ideia. Só falta a execução. E como executa Wes Anderson! Com aquele seu humor absurdo que nos faz, ao mesmo tempo, sair da realidade e cair na real. É uma coisa primorosa.

Também gosto muito do curta A incrível história de Henry Sugar (2023). E, agora mesmo, percebo que 2023 foi um ótimo ano para filmes, hein? Mas o meu coração é mesmo de Moonrise Kingdom (2012). Esse sim: filmaço, 5 estrelas com coração ao lado.

Um beijo,
Uma garota de 30 anos
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