A vida de uma garota de 30 anos

Pensamentos e acontecimentos dos últimos dias

Inicialmente, eu pretendia fazer esse texto como o diário que fiz no dia 4. Mas a verdade é que, minutos depois que escrevi aquele texto, me senti demasiadamente exposta. Coisa louca de se pensar, uma vez que venho me expondo cada vez mais nesse blog. No entanto, aquele texto contém quase exatamente as mesmas palavras que eu escrevi no meu diário pessoal, à mão, em uma sexta-feira de verdadeiro desespero. Não deixei a poeira baixar. Copiei do escrito à mão direto para o blog e foi. Talvez por isso a sensação de certa exposição desnecessária.

Não que se expor seja uma coisa ruim. Mas é preciso coragem e certa disposição para dizer as coisas “como elas são”. Por isso que eu acredito sinceramente que a escrita sempre é um tipo de forma. Um dar forma às coisas. A maioria dos textos do tipo “vomitório” fazem bem para os diários, mas raramente são necessários ao público. Nos últimos dias, tenho lido bastante sobre o ato de escrever (Elena Ferrante) e sobre diários (Sylvia Plath). Pretendo escrever mais sobre essas duas autoras gloriosas nos próximos dias.


Aproveitei que estou super menstruada e resolvi tirar esse feriado para descanso. Mas descanso mesmo, gente. Não é meio-descanso. Descanso de verdade. Isso significa, para mim, cochilar o quanto quiser, não se culpar por não conseguir lavar o cabelo no dia planejado, recusar convites de pessoas queridas para sair de casa, não caminhar mais do que a distância do mercadinho da esquina para se reabastecer de suprimentos necessários. Ansiei tanto por esse descanso que até nos meus sonhos eu digo para as pessoas que eu quero dormir. E dormi. Muito.


Fiz comidas deliciosas. Aproveitei que estava sozinha em casa e deixei tudo do meu gosto. Carne moída com legumes, arroz e feijão; strogonoff; frango à parmegiana; sopa de legumes com gengibre. Não pedi delivery nem uma vez sequer. O que me leva a crer que eu gosto sim de cozinhar, mas que me irrita profundamente ter que cozinhar em meio à guerra alheia. A guerra da cozinha: todos querem estar certos e ninguém quer ajudar.

Talvez por isso eu tenha pedido tanto delivery nos últimos meses. Atolada de trabalho até as tampas, é claro que não me sobrava paciência para cozinhar ouvindo que eu deveria estar usando a panela X e não a panela Y. Imaginem isso todos os dias no seu ouvido. Não dá vontade de explodir a panela com tudo o que está lá dentro?

Sou crente da cozinha com amor. Acredito piamente que o sentimento de quem cozinha passa para o alimento e nutre todos os que comem. Eu acho que a gente percebe quando uma comida é feita sem amor, no meio da confusão e dos gritos. E, ainda por cima, há também a questão da companhia à mesa. Com quem comemos é também algo de suma importância. Nossos companheiros de mesa, os comensais.


Por falar em comensais, assisti aos dois filmes finais da saga Harry Potter e pretendo fazer um texto sobre eles para o blog. Se tudo der certo, ele sai amanhã. Pretendo escrevê-lo hoje mesmo.


Durante esse final de semana, me obriguei a ficar sem usar o computador porque estou desde junho praticamente todos os dias ligada nesse aparelho. Percebi que me tornei, nos últimos meses, uma pessoa muito mais ansiosa. Evidentemente que isso não se deu por conta do blog, e sim do trabalho. No entanto, estou com dores no pescoço que começaram nessa reta final do trabalho e das quais pretendo cuidar melhor. Para isso, sei que precisarei diminuir um pouco o meu tempo de computador.

Nesses desligamentos totais, isso inclui também o fato de não escrever para o blog. Mas tudo bem, faz parte da vida. Creio que em breve tudo voltará ao normal porque o trabalho me exigirá menos e me sobrará dedos, mãos, cérebro e pescoço para o blog.


Por falar em dedos e mãos e cérebro e pescoço, nos últimos dias, empreguei essas partes de mim em outra missão. Retornar para os estudos de teclado. Sou muito iniciante, mas já estou conseguindo ler algumas partituras e tocar sem olhar para as minhas mãos!! Fiquei super empolgada.

Montei um acampamento aqui na sala de casa, com o teclado na frente da poltrona. Cobertas e almofadas. Faz um frio danado em São Paulo. Ao lado da poltrona, um banquinho para servir de apoio para copos e xícaras. E me perdi nas horas. Toquei as mesmas musiquinhas infantis – que, por enquanto, são as únicas que eu sei tocar – por horas. Coitados dos vizinhos. Deixei o som baixinho para que eles não ouvissem tanto.


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O triste é que logo vou ter que desmontar o acampamento, porque meus conterrâneos chegarão de viagem na tarde de hoje. Esses dias recebi uma mensagem da julie falando que gostou de ver a minha escrivaninha toda bagunçada. Eu achei sensacional esse comentário porque, por aqui, ninguém nunca me disse uma coisa dessas! Pessoal gosta de viver como quem vive em uma casa de revista. Se irritam com as coisas “fora do lugar”. Eu gosto de ver casa que tem gente.


Dizem que para você criar um hábito é preciso facilitar as coisas para que ele aconteça, e se torne mais fácil para você fazê-lo do que não fazê-lo. Então, por exemplo, se você quer fazer caminhadas diárias, mas tem preguiça de separar a roupa de caminhada, o ideal é deixar tudo preparado na noite anterior, e aí quando chegar o momento, você só precisa se vestir com tudo o que já está preparado e sair de casa.

Agora imaginem vocês que se eu quiser treinar um pouco de teclado todos os dias, vou ter que montar esse acampamento todos os dias. Pegar os pés do teclado, armá-los. Pegar o fio da tomada, ligá-lo. Pegar os livros de estudo, que estão em outro armário, abri-los. Enfim, parece pouca coisa, mas o meu sonho seria simplesmente acordar e já ver o meu teclado me esperando, todo montadinho e pronto para ser tocado.

Com a pintura, mesma coisa. Toda vez é preciso montar o cavalete, abrir as tintas, montar a tela etc. etc. etc. Ao final do dia, desmontar, para, no dia seguinte, montar tudo de novo. E se isso tudo fosse por um bom motivo… mas é só porque as pessoas não suportam ver coisa de gente. Então tudo deve ficar impecável para todos ficarmos sentados assistindo a vídeos curtos no sofá. Porque, se formos fazer qualquer outra coisa, vai dar “muito trabalho”. Ai, ai… não quero me delongar mais nessa chatice.


Outra coisa que aconteceu: comprei um tablet para conseguir escrever para o blog de forma mais fácil. O meu notebook está com a bateria toda cagada há alguns anos. Ele só funciona na tomada. Queria comprar um notebook barato para poder sair com ele por aí, escrever em outros lugares, em uma biblioteca, um café. Mas vi que praticamente não existe mais essa categoria de notebook barato.

Foi aí que pensei em comprar um tablet, porque ele poderia cumprir com essa função de suporte para a escrita se eu comprasse também um teclado portátil. Além disso, seria muito mais leve para carregar por aí. E também mais barato. Escrevi esse texto todinho no tablet, mas ainda com o meu teclado do computador, porque não encontrei um portátil que me fosse útil.

Até comprei um por 50 reais, que vem até com mouse, mas – adivinhem! – ninguém faz milagre. Vagabundo que só. Vou devolver.


E, por fim, dentro dessa compra do tablet, outra coisa aconteceu. Uma coisa meio fantástica, misteriosa, engraçada.

Logo depois que eu efetuei a compra, fiquei me perguntando se tinha feito a escolha certa. É porque eu sou bem mão de vaca, gente. Dei uma pesquisada nos últimos dias, vi que o preço estava abaixo do normal, aproveitei a promoção. Mas ainda assim fiquei me perguntando: será que o tablet vai ser tão útil assim? Será que não é puro capricho? Será, será será… ? Eis que, no dia seguinte, ganhei, de forma milagrosa mesmo, quase o valor do tablet. Não vou dizer ainda de que maneira eu ganhei, mas já digo que não é nada ilícito ou aposta de bets nem nada do tipo. É milagre mesmo, gente!! Só não digo ainda porque é fruto, digamos, de uma confusão. Mas estou, segundo pesquisas e opiniões, dentro da lei e da ordem.

Então o tablet me saiu quase por um terço do valor. Fiquei rindo por dias seguidos dessa situação. Vou conseguir comprar agora mesmo um teclado melhorzinho para ele e aí conseguirei escrever em outros lugares.


Enfim, dormi muito, assisti aos filmes da saga Harry Potter, li razoavelmente, senti muitas coisas, pensei muito sobre meus sentimentos e minhas relações, conversei com uma prima distante via chamada de vídeo e descobri, por meio das palavras dela, que nada na nossa família muda e que eu estou certa mesmo de querer sumir. Continuo meu aprendizado de músicas infantis1, que, a essa altura, já chega ao repertório vasto de 14 canções. Nos próximos dias, pretendo tocar todos os dias e cuidar da minha coluna, além, é claro, de trabalhar e continuar aqui blogando com vocês.


E por aí, como estão as coisas?


Um beijo,

Uma garota de 30 anos



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  1. Até dei uma olhada no curso para adultos, mas nessa fase inicial não muda muita coisa. E, no final das contas, acabei gostando mais das musiquinhas das crianças. A parte engraçada é que elas não saem da cabeça. De vez em quando, estou aqui lavando louça e cantando cantigas em língua inglesa de sei lá quantos anos atrás, cujos títulos são coisas como “My pony” e “Humpty-Dumpty”.