A vida de uma garota de 30 anos

Alguns tópicos sobre arte

Arte, sabedoria e paixão

Há algum tempo acompanho o canal do YouTube de Dianne Mize, uma senhora (muito fofinha) que aborda técnicas e dicas para pintar com tinta a óleo e aquarela. Em suas “quick tips”, em poucos minutos, ela ensina de tudo com tanto amor, calma e paciência que (milagre!) você acaba entendendo. Muitos vídeos são apenas “respostas” para as dúvidas de seus “alunos”, que surgem nas caixas de comentários dos vídeos anteriores. A ideia é simples: ela posiciona o cavalete, as tintas, a câmera e começa a falar, deixando que a sabedoria tome conta do ambiente e do coração. Uma coisa primorosa.

Ontem, depois de ter completado todas as minhas tarefas e os meus desejos, ainda me sobrou energia. Como isso é um evento extremamente raro, decidi aproveitar com alguma coisa que eu gosto muito. Dei a chance para um vídeo daqueles que a gente deixa marcado como “assistir depois” e nunca assiste, sabe? O vídeo é do canal do Paul Ingbretson, que, coincidentemente, também é um senhor que fala sobre pinturas, técnicas e estilos de pintores. Uau! Que deslumbre de explicação, de sensibilidade, de amor pela arte.

Sempre desenhei e pintei quando criança, mas não me recordo de algum professor que tenha me marcado profundamente. Na faculdade, no entanto, também fiquei hipnotizada por um senhor que falava abundantemente sobre as relações entre arte e política, desvendando junto com os ávidos estudantes alguns dos mais famosos quadros, como A morte de Marat, de Jacques-Louis David, e Guernica, de Pablo Picasso.

Foi então que tive um estalo: a forma mais “eficaz” de aprender arte é estar próximo de quem fala dela com paixão. Porque, afinal, toda obra passa por esse lugar (e, aqui, não importa tanto se a paixão é “boa” ou “má”, se o artista se sente “feliz” ou “infeliz” quando pinta. Tudo isso é uma forma de paixão). O melhor é compreender mais com os sentidos, com as percepções, com a sabedoria dos mais velhos, que parece quase “intuitiva”, e menos com a razão, dominante em quase todos os outros aspectos da vida.

Deixo aqui o canal desses dois digníssimos professores. A única parte ruim é que eles falam em inglês, e os vídeos ainda não possuem tradução. Aliás, notem que tanto Dianne quanto Paul estão no seu vídeo de número 500 e pouco sobre arte. Que fôlego, que consistência, quanto assunto! De onde vem tudo isso? Da racionalidade, da disciplina, da obrigação? Talvez. Mas eu gosto de imaginar que vem do amor.


Cores fosforescentes

Ontem, na aula que tive com o Paul, foram abordadas diversas relações entre alguns artistas “esquecidos” do século XIX e XX, a pedido de um de seus “alunos”. O professor conectou o artista Carl von Marr, da Escola de Munich, pintor do realismo, com o impressionismo estadunidense, conhecido como "Escola de Boston". À primeira vista, isso pode parecer incomum: nos acostumamos a pensar o realismo como oposto ao impressionismo. Mas Paul tem estofo para fazer esse tipo de proposta, e destrinchá-la. Não pretendo retraçar toda a explicação aqui nesse texto, pois ficaria enorme. Mas quero trazer algumas coisas sobre o que eu chamo de “cores fosforescentes”, pois isso fez o meu queixo cair às 23h de um domingo.

Muitos artistas contemporâneos se utilizam desse tipo de cor nas suas obras. Há algum tempo pesquisei sobre isso e muitos disseram que se trata de uma camada por baixo de toda a pintura, feita com a tinta Ecoline, por exemplo. Essa tinta é como se fosse uma aquarela diluída, mas extremamente “forte” e “brilhante”. No momento, não consegui encontrar nenhuma referência que mostre isso, porque não quero entrar no Instagram depois de conseguir ficar meses sem usar esse aplicativo diabólico. Mas, por lá, é possível encontrar inúmeros artistas que fazem essa camada “inferior” nas pinturas, com a intenção que as tintas de cima “pulem” da tela.

A Susan Jenkins, do canal Monet Cafe, ensina a reproduzir essa técnica, mas com pastel seco. Eu mesma já me aventurei nesse caminho e consegui um resultado interessante.

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Agora: o meu queixo caiu porque eu acreditava, talvez inocentemente, que essa era uma técnica muito contemporânea. Quando eu pensava em pinturas mais antigas, até mesmo no impressionismo, eu não imaginava esse tipo de “fosforescência” na imagem. Pois bem. Paul Ingbretson me apresentou a Carl von Marr e à Escola de Boston. Vejam com os seus próprios olhos.


Summer afternoon
Summer afternoon, de Carl von Marr. 1892. Óleo sobre tela. [Museum of Wisconsin Art]


Roadside
Roadside cottage, de Dennis Miller Bunker. 1889. Óleo sobre tela. [Nation Gallery of Art]


Parece ser mérito da arte contemporânea ter exagerado essa técnica, mas a ideia está toda aí! Em von Marr, o rosa e o amarelo, junto com o verde, fazem um jogo de cores que se transforma em luz e sombra. Ao mesmo tempo, o resultado é “natural”, apaixonado, tranquilo. Isso é de uma dificuldade extrema e de uma técnica magistral. Em Bunker, da Escola de Boston, a sombra que se espalha sobre a parede branca é meio violeta, opaca, e o rosa é usado para fazer “aquecer”, no chão e no telhado. Tudo o que eu buscava nos vídeos rápidos do Instagram eu encontrei em uma aula de 40 minutos sobre artistas do século XIX, com o professor Paul. Que novidade! O conhecimento vem em doses lentas!!


Sobre guardar obras de arte

A parte que ninguém te conta sobre tentar ser um artista é a dificuldade em encontrar o melhor abrigo para as suas tão queridas obras. Gente, que inferno! Esse é o espaço que eu tenho para guardar as minhas coisas relacionadas à arte.


Tilia


Claro que eu posso dar uma organizada para que ele fique melhor aproveitado. No entanto, algumas das coisas que eu faço, como aquela pintura de giz pastel seco que mostrei anteriormente, são em tamanho A3, e com materiais muito delicados.

Aliás, não consegui até agora fixar bem o giz pastel seco no papel. Acho que é uma soma de fatores: a qualidade do meu papel (Canson 300g para aquarela), o fixador que eu usei, que não é apropriado para o material seco, o fato de ter feito a primeira camada diluída em água. Enfim, são muitas coisas a considerar... e o meu espaço para guardar é limitado. Por isso, deixo as obras empilhadas em pastas e algumas delas ficam em pé. (Se alguém souber alguma dica sobre como posso resolver isso, por favor, me escreva!!!)

No final de abril, visitei a casa da Tomie Ohtake. Um dos meus objetivos era ver como uma pintora de verdade guardava suas obras e seus materiais. E, sem surpresas, a mulher tinha muito espaço. A casa toda foi construída para abrigar uma artista e suas obras. Ao que parece, ela não tinha essa preocupação. Vejam que armários lindos, que coisa monumental.


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Aquarela da Artools

Para fechar essa miscelânea de assuntos: ontem, antes da aula do Paul, fui pintar com aquarela e dei de cara com a minha pastilha de azul ultramar vazia. Estava tão entretida esses dias, pintando sem parar, que não percebi que a tinta poderia simplesmente acabar. Sempre me foi dito que essas pastilhas duram uma eternidade. Não sei se é porque a maioria das pessoas dilui muito a aquarela, e isso faz com que ela dure uma eternidade mesmo, ou se é porque eu tenho pintado mais do que as pessoas em geral, e isso fez com que ela simplesmente acabasse. Me preocupei em comprar papéis e cadernos, sem nem me ligar nas escassas pastilhas.

Como estou querendo testar novas tintas e ainda não escolhi em quais tintas profissionais eu quero investir meu suado dinheirinho, resolvi experimentar uma opção mais barata, mas que, dizem, é bastante satisfatória. Paguei 40 reais em um estojo da Artools com 12 cores, mas desejando apenas que o meu azul ultramar chegue logo via correios. Na realidade, acabei de notar que o amarelo também está quase no fim! É... parece que o estojo novo será mesmo útil de uma forma precoce.


Por hoje é só, pessoal! Em breve mostro mais de minhas pinturas (as boas e quem sabe também as ruins). Estou me sentindo bastante à vontade aqui com vocês, com Dianne e com Paul, a ponto de exibir o que não revelo para quase ninguém. Arte é amor, mas também é coragem.


Beijos,

Garota do blog1



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  1. Ainda tô na energia de Gossip girl.