Aventuras do bordado russo
Ontem fui ao centro da cidade, mais precisamente na Rua 25 de Março, e encontrei quase tudo o que eu precisava pra começar a praticar o bordado russo. Vejam as comprinhas que eu fiz lá.


Comprei os tecidos e as linhas indicadas e um bastidor regulável para o tecido ficar bem esticado. Eu já tinha em casa a agulha específica para esse bordado, que se chama agulha mágica, mas ainda assim queria ter comprado uma que funciona também para linhas grossas, porque a minha só dá certo com linhas finas. Não encontrei essa agulha na 25, depois de 4 horas zanzando atrás dela e de outras coisas. Claro que também teve uma pausa para um almoço árabe maravilhoso. Já encomendei essa outra agulha na internet, que foi onde eu a vi primeiramente.
Os preços da 25 compensaram bastante, principalmente as linhas. Consegui rolos pequenos por cerca de 3 reais e rolos maiores por 6. Esse pacote com 5 linhas grossas saiu por 20. O caro mesmo foi a talagarça, um tecido que é tipo uma rede com buraquinhos, que depois me dei conta que só funcionará com as linhas grossas, porque os buracos são bem grandes. Então vou ter que esperar a minha agulha maior chegar para fazer o teste e ver como fica o resultado nesse tipo de tecido.
Confesso para vocês que o começo foi bem frustrante. Passei a tarde toda de ontem tentando reproduzir o que eu tinha visto em alguns vídeos por aí e não estava dando nada certo. Meu tecido de algodão parecia muito duro e meus pontos não ficavam com o aspecto que eu queria. Ao contrário, pareciam todos muito tortos e desajeitados.
Depois de tanta frustração, decidi tirar uma soneca de tarde, porque acordei muito cedo para ir até a 25 e passei a manhã toda batendo perna. Depois, um banho para relaxar e, em seguida, fui assistir a alguns vídeos de pessoas que falam a língua inglesa, pois foi com uns vídeos que imagino que sejam de estadunidenses que eu cheguei a conhecer essa técnica, chamada pelas bandas de lá de punch needle. Foi aí que assisti a esse vídeo aqui e ele foi uma benção.
Claro que as minhas tentativas e erros anteriores também serviram de aprendizado, mas por conta desse vídeo consegui resolver inúmeras coisas que eu estava fazendo errado. E esse foi o resultado final da noite de ontem, feito enquanto eu assistia ao São Paulo ganhar do Vasco e atingir, surpreendentemente, o oitavo lugar do Campeonato Brasileiro. Quem diria? Nem mesmo eu!

Ainda preciso terminar o outro lado em azul para finalizar o yin yang. Eu quis pegar um desenho bem simples para facilitar essa primeira tentativa e fiquei muito feliz com o resultado até agora, mesmo que as cores não sejam o tradicional branco e preto. A técnica do bordado russo/punch needle permite que as coisas fiquem com esse aspecto de fofinho, que era o que eu buscava inicialmente.
No final das contas, não achei uma coisa difícil de fazer, porque consegui pegar o jeito em algumas horas de tentativa e erro sem desistir. O legal é que dá para conseguir ótimos resultados mesmo sem saber muita coisa sobre a técnica, que imagino que tenha ainda um universo para ser explorado.
Agora, o mais legal mesmo, gente, é que você tem que fazer uma certa pressão para a linha passar para o outro lado (daí o nome punch needle, em inglês). E, olha, preciso falar para vocês que isso relaxa não só a mente, mas o corpo. Estou precisando disso ultimamente, de alguma coisa para “extravazar a minha raiva”, como dizem. E vejam vocês a ironia: depois de passar horas socando a linha através de um tecido, ainda consigo obter um bordado super fofinho! Não é incrível?
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