Beterraba com Quiñones
Hoje o texto vai ser curtinho porque estive cheia de compromissos. De manhã participei da aula do curso de astrologia, ministrado por uma colega da época da faculdade. Depois do almoço, tive uma reunião sobre o início de um trabalho temporário na área de leitura e escrita. Ao mesmo tempo em que fico empolgada com essa oportunidade, sinto que sempre que trabalho com o meu pensamento e com as minhas ideias sobra “pouco deles” para mim. Aquela sensação que dá no fim do expediente de que você gastou tudo o que tinha, pensou tudo o que podia para resolver os pensamentos alheios... que nem sempre lhe agradam. Torço para que dessa vez seja diferente! Veremos.
No intercurso desses dois compromissos, estive em contato com muitas pessoas: ex-colegas da faculdade, novas pessoas do futuro trabalho e do curso que entrei recentemente, diálogos cotidianos para a manutenção da ordem da casa e da alimentação diária. Pode parecer pouca coisa, mas me sinto extremamente cansada depois de tanta “socialização”. Imagino que pode ser também efeito da medicação intravenosa, que faz com que o meu corpo esteja constantemente trabalhando para a sua absorção – o que me deixa com menos força para outras atividades corriqueiras. Sinto, no momento em que digito essas palavras, meu corpo todinho doer, uma enxaqueca chegando de leve, dores nas “juntas”... Ou pode ser o frio, que chegou para valer por aqui: o corpo fica retraído, duro, buscando sempre por proteção.
Ou pode ser mais simples: em geral, me sinto sempre um pouco cansada quando estou em contato com outras pessoas (ainda que eu as adore e pareça extremamente empolgada com aquela interação – não me levem a mal, não é que eu simule um entusiasmo ou finja interesse... é só que há, em meu corpo e na minha mente, certo senso de autopreservação que se manifesta, muitas vezes, por meio do cansaço). A verdade é que, depois de tanta interação, às 16 horas eu me encontrei deitada no sofá, “morta com farofa”.
Também às 16h, cheguei para o único compromisso do dia que eu ansiava há dias, semanas, e quiçá meses. Talvez o meu cansaço tenha vindo de uma questão minha: supus que esses outros compromissos tirariam o brilho que eu reservava para o meu verdadeiro compromisso, o jogo de abertura da Copa do Mundo.
Agora, devido à agitação do dia, não tenho energia e capacidade mental para escrever para vocês sobre a partida em seus detalhes. Apenas quero deixar registrado que adoro conhecer jogadores e suas marcas no decorrer dos jogos e, hoje, me diverti à beça com o tal do Julián Quiñones, autor do primeiro gol da Copa de 2026. Nem sempre optando pela escolha mais inteligente, Quiñones fez aparecer sua altivez, sua ousadia, levando no peito com aquele estilo “deixa comigo”. Sempre me admiro muito com esse tipo de personalidade, principalmente no futebol. Ela faz emergir os guerreiros da partida, aqueles que vão na cara e na coragem, no erro e no acerto. Não se envergonham, se recompõem rapidamente e batem no peito. México 2x0 em cima da África do Sul, com o sorriso aberto de Quiñones ao comemorar o gol fazendo coraçãozinho com as mãos.
Também deixo com vocês a foto de uma aquarela que fiz ontem. Me deu na telha que seria interessante testar as cores mais pigmentadas, conforme discuti no texto de ontem, e tentar reproduzir um roxo vivo por meio da pintura de uma beterraba. Infelizmente eu não consigo comê-las (não por gosto, mas por restrições de saúde), apesar de achar que elas são o tubérculo mais lindo que existe. Mas posso pintá-las, e isso também é uma sorte.
Beterraba e Quiñones me garantiram a felicidade hoje1. É... às vezes ela vem de onde a gente nem imagina.

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Pintei a beterraba ontem à noite, porém, só vi o resultado final hoje cedo. Isso ocorre com as pinturas por dois motivos. 1) só depois de muito tempo a tinta se assenta no papel e se mostra para você como ela verdadeiramente é (ou como ela ficará para sempre, depois daquele período inicial de interação com a água ou outros diluentes); 2) as cores se mostram de um jeito na luz natural do dia e de outro na luz artificial utilizada à noite.↩