A vida de uma garota de 30 anos

Harry Potter: os livros, os filmes e a série

Esse texto era inicialmente um preâmbulo para o texto que estou preparando sobre As relíquias da Morte. No entanto, achei que ele ficou um tanto longo e descolado do assunto que pretendo tratar naquele outro texto e decidi, portanto, publicá-lo como um “preâmbulo à parte”. Afinal, minhas reflexões sobre Harry Potter nos últimos dias tomaram proporções que eu mesma não estava esperando. Talvez porque esse é um mundo mágico que nos distancia de tudo o que é real para nós, possibilitando imaginar uma vida outra. Talvez porque, na própria imaginação dessa vida outra, nos pegamos pensando em quem nós queremos ser de verdade. Esse é o poder (mágico ou não) da fantasia e da ficção: interromper a realidade.




Com a chegada da primeira temporada da série Harry Potter, da HBO, em dezembro desse ano, fiquei empolgada para rever os filmes da saga e, de tão empolgada que fiquei, acabei voltando até para os livros. Eles marcaram profundamente a minha infância e adolescência, e cumpriram seu papel ao me fazer uma amante dos livros, sem medo dos calhamaços.


Hermione: Eu dei uma olhada nisso semanas atrás para uma leitura leve.
Rony: Isso é leve?
Hermione: Eu dei uma olhada nisso semanas atrás para uma leitura leve.

Rony: Isso é leve?


Até o Prisioneiro de Azkaban, eu já tinha assistido aos filmes antes de ler os livros, então dava para ter mais ou menos uma ideia do que se passava ali. A partir de O cálice de fogo, as minhas fontes primárias foram os livros, e aí, meus amigos, não importava se o livro tinha 400, 500, 600 páginas! Eu só queria saber e conhecer. Saber de toda a história, conhecer os novos personagens. Na verdade, eu queria mesmo era morar em Hogwarts, viver tudo aquilo ao lado de Harry, Rony e Hermione.

Mesmo com essa relação tão marcante com os livros, não sou daquele tipo de fã purista que acusa os filmes de não serem tão bons quanto os textos sagrados. Ao contrário, acredito que Harry Potter seja um caso de extremo sucesso quando pensamos no quanto a construção das imagens dos filmes impregnaram na nossa mente, nos fazendo imaginar todos aqueles personagens, cenários e batalhas exatamente de acordo com as escolhas dos diretores cinematográficos. Também acho incrível que os filmes tenham sido conduzidos por diferentes diretores ao longo dos anos. Para mim, isso trouxe uma riqueza ainda maior, um olhar diferente para cada um dos anos de Harry e seus amigos na famosa escola de magia.

Os filmes foram responsáveis, portanto, por criar uma atmosfera, uma imagem tão precisa e tão marcante que automaticamente identificamos o mundo dos bruxos com aquelas criações espetaculares. Não é fácil construir uma impressão visual tão marcante a esse ponto. Podemos ter uma dimensão do tamanho dessa criação quando pensamos que, em 2026, o primeiro filme da saga, Harry Potter e a pedra filosofal, completa 25 anos de idade. Uau!


image


A série da HBO promete, entre outras coisas, abordar as lacunas deixadas pelos filmes em relação ao enredo original. Essas lacunas são completamente compreensíveis nos filmes, uma vez que não é tarefa possível abarcar aqueles calhamaços em 2h30 de tela de cinema. A dificuldade da série é justamente lidar com essas imagens dos filmes com as quais estamos impregnados. Nos primeiros trailers, é notável a semelhança com o universo já construído, e muitos consideram até uma “repetição” quase idêntica daquilo que já foi, mas de “pior qualidade”, pois louvam os filmes também com certa sensação de nostalgia. O que esses fãs mais velhos e preciosistas esquecem é que, talvez, a série buscará também por uma nova legião de fãs, que têm, agora, como Harry, os seus 11 anos de idade, e vive em um mundo com uma linguagem diversa da nossa.

Se for cumprida a promessa da série, penso que esse trio formará o universo completo e perfeito de Harry Potter: livros, filmes e série, cada um, à sua maneira, contribuindo para construir, nas nossas mentes e nos nossos corações, as imagens, os sons, as interpretações e os sentimentos desse grandioso universo mágico.

E confesso para vocês: só de pensar que a série me dará lá mais uns 10 anos de felicidade com esse universo? Bah... eu não tenho do que reclamar!



Quer comentar esse texto? Dê um alô no Guestbook do blog.


Anterior