A vida de uma garota de 30 anos

Meus pincéis para aquarela

Gente, finalmente chegou o grande dia! Quem está acompanhando as coisas aqui por um tempo sabe que eu estou a fim de fazer esse texto há semanas. Hoje o dia amanheceu lindo, com sol e frio, bem do jeito que eu amo. Meu humor está de vento em popa e escrevo aqui para vocês enquanto tomo um cafezinho. Quer coisa melhor?


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Agora, antes de começar a explicar sobre cada um dos pincéis, seus valores, como eu cheguei à conclusão de comprá-los e quais são os efeitos deles nas pinturas, vamos de alerta: esses materiais foram comprados ao longo de 6 anos. Tá, e o que isso quer dizer? Quer dizer que, caso você tome isso aqui como base para fazer qualquer coisa, vai com calma!! De vez em quando a gente quer ter um hobby por pura diversão e acaba se perdendo no monte de coisas que a gente acha que tem que comprar. Muitas vezes, essas coisas também são caras, principalmente se tratando de aquarela. Então muita calma nessa hora. Quando você se desesperar, lembre-se disso: eu demorei seis anos para comprar esses materiais e, talvez mais importante ainda, demorei seis anos para entendê-los.

Cada caminho com a arte é único, cada pessoa descobre, somente com o tempo, os seus gostos para os temas, os pincéis, as tintas, as misturas. Então o que aqui se segue é uma impressão que eu tive com esses materiais, nessa jornada de 6 anos. Roube o que for útil para você. Aproveite!


Pincéis Condor e Giotto

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Geralmente, a Condor e a Giotto são as marcas de entrada para o universo da aquarela. Para essa técnica, todos os pincéis devem ter cerdas muito suaves, caso contrário, você arruinará suas pastilhas, que são muito delicadas, e o papel, que estará úmido e, por isso, mais sensível ao desgaste. Os pincéis dessas marcas cumprem esse propósito – até certo ponto. Não dá para você inventar de fazer uma pintura de 10 camadas com eles e um papel mais barato. No entanto, como estamos no início, eles são ótimos pincéis. Aguentam sim umas 3, 4 camadas tranquilamente. E são baratos. A Condor vende esse conjunto de 3 pincéis por cerca de 30 reais, e a Giotto tem um preço similar.

Os pincéis da Condor são para artesanato em geral, enquanto os da Giotto são para todas as tintas. Eles não são, portanto, especializados em aquarela. Qual é a desvantagem disso? Eles podem reter muita água. Isso não é necessariamente um problema, pois há pincéis caríssimos justamente com essa função. O problema é que eles despejam essa água de maneira não uniforme. Isso pode gerar tanto um aspecto interessante na pintura ou, o que é mais provável, uma frustração muito grande para o pintor. Imagine que você quer fazer um detalhe bem delicado, marcado, com tinta escura. E, de repente, o pincel derruba um monte de água nesse exato momento. Você terá de lidar com uma mancha despropositada. E, como iniciante, muitas vezes não sabemos lidar com esse tipo de problema. Como intermediário, mesmo que você saiba lidar, muitas vezes não é o resultado desejado.

Enfim, eu diria que esses pincéis são para os primeiros testes. E não pensem que com isso eu quero dizer que eles são descartáveis. Ao contrário, esses meus primeiros testes duraram alguns anos. Por um grande período pintei só com eles, até que descobri que existiam outras possibilidades. Vamos a elas.


Pincéis aleatórios

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Coloquei esse nome porque não tem uma categoria específica que abarque esses dois pincéis. O menorzinho, mais fino, é um pincel comum, da própria Condor, mas de tamanho muito pequenininho mesmo. Ele é ótimo para fazer detalhes e é bem barato.

O segundo é um pincel da van Gogh que veio dentro do meu set de aquarela, também da van Gogh (Royal Talens). O pincel em si foi “de graça”, porque veio de brinde, mas o kit custou cerca de 200 reais. Ainda vou fazer outro texto só sobre esse kit e as aquarelas da van Gogh, mas queria aproveitar esse momento para já falar do pincel.

Esse pincel é ótimo para viagem e para aquarelas pequenas. O negócio da aquarela é que o pincel tem de ser proporcional ao tamanho da pintura, caso você não queira que o resultado pareça manchado. Se você tem um fundo grande, o pincel deve ser grande. Se os detalhes são pequenos, o pincel deve ser pequeno. E assim por diante.

Como esse pincel é de viagem, ele tem a possibilidade de desencaixar a ponta e dobrá-la para dentro do tubo, deixando ele protegido. Isso é muito útil, mas, devido a seu tamanho, eu só o utilizo para pinturas menores.


Pincéis de pelo de cabra ou sintéticos similares

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Esses daqui eu descobri acompanhando o canal da Ana Vivian, uma excelente professora de aquarela. Ela é super detalhista e cuidadosa com as mínimas coisas: explica muito bem sobre os pigmentos, os tipos de papel, de pincel etc. e tal.

Esses pincéis são excelentes para pintar cenas de natureza, paisagens ou qualquer outra coisa que você queira dar um aspecto mais natural, menos uniforme. Por exemplo, essas bordas que fiz nessa pintura de vitórias-régias, no canto inferior esquerdo e na parte de cima, foram feitas com esse pincel. Ele tem um aspecto meio espetado, mas quando você molha, fica super molinho. E aí você consegue ajustar as cerdas com os dedos, deixando-as entreabertas. Assim, conseguimos esse aspecto nas pinturas.


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Os dois de cabo escuro são da Keramik, e também não são tão caros. Creio que paguei cerca de 20 reais em cada um deles. O terceiro, de cabo de bambu, é da Daiso, e foi cerca de 11 reais. O problema dos pincéis da Daiso é que com o passar do tempo eles começam a soltar pelos, e isso atrapalha na hora da pintura. Portanto, se eu tivesse que escolher, ficaria só com os da Keramik mesmo. E vocês podem ver, pela cor das cerdas, que utilizei o menor bem mais do que o maior.

Quando você for comprar, é legal já saber mais ou menos o tamanho das suas pinturas, e focar só aquele tamanho adequado de pincel. Assim dá para economizar e experimentar coisas diferentes.


Pincéis para grandes coberturas

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Na realidade, desses três pincéis da foto, eu indico somente a trincha da Keramik. Então, já poupe o seu dinheiro com os outros dois (Castelo, para artesanato, cabo vermelho; pincel de caligrafia oriental, da Daiso, também por 11 reais) e compre só um.

Qual é o problema desses outros dois, especificamente para a aquarela? A mesma questão da água que eu citei quando falei dos pincéis da Condor e da Giotto, mas em escalas maiores. Imaginem esse pincelzão totalmente descontrolado. Vai dar trabalho...

Esse pincel chato da Keramik se chama trincha, e é perfeito para cobrir as áreas maiores sem deixar um aspecto manchado. Ele é especializado em soltar a água de maneira uniforme enquanto você pinta, o que evita que as manchas se formem. Custa cerca de 50 reais.

Agora, as manchas são sempre um problema? Não sei... por exemplo, o fundo dessa pintura que fiz do Cézanne foi feito com esses dois pincéis “descontrolados”. Ficou tão ruim assim? Acho que não. Mas se eu quisesse deixar um fundo completamente uniforme, seria simplesmente impossível fazer isso com esses dois pincéis que não são específicos para aquarela. Eu só conseguiria fazer isso com a trincha.


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Dia desses vou fazer outra pintura, dessa vez com a trincha, para mostrar aqui a diferença. No momento eu só a utilizei em um estudo que não dá para ver muito o fundo, e achei que teve uma mudança enorme. Aliás, pretendo continuar trazendo mais coisas sobre esse tema: os testes dos pincéis, as pinturas que fiz com cada um deles. Acho que vai ficar bacana para documentar o meu processo e também para vocês acompanharem essa saga.


Aqua Elite (Princeton)

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Ok, aqui a coisa ficou séria. Como quando a paixão vira amor e as coisas atingem outro patamar. Já tenho falado há algum tempo aqui no blog que eu comprei um pincel profissional de aquarela e blá-blá-blá. Agora vocês finalmente estão vendo a carinha dele.

Como eu escolhi exatamente esse pincel?

Tudo começou com aquele vídeo do Liron Yanconsky, que eu comentei aqui com vocês no mês passado. Eu percebi que o pincel que ele utilizava nos vídeos era diferente dos meus. Ele parecia ter uma firmeza e uma delicadeza ao mesmo tempo. Liron esfregava o pincel no papel, parecia quase “apertar” as tintas e, no momento seguinte, seu pincel estava lá todo lindo, parecia não ter sofrido nada.

Pesquisei qual era exatamente aquele pincel, na esperança de comprar um igual. Dois problemas. Primeiro: a marca não produz mais aquele pincel específico. Segundo: eu não estava a fim de gastar 500 reais em um pincel. A marca é uma das mais famosas do mundo, a Escoda, de Barcelona.

O problema de comprar materiais muito bons sem a gente ter o “alcance intelectual” daquela técnica é que, muitas vezes, nem conseguiremos entender por que aquela coisa é boa. Então, acredito que sim, o pincel da Escoda deve valer os seus 500 reais1. Mas que eu, aqui no meu princípio, não seria capaz de entender por que esse pincel deve custar 500 reais. Afinal, como vocês viram, eu ainda não tinha utilizado nada caro demais, a não ser o pincel da van Gogh, que veio acompanho das tintas, então não era tão caro assim.

Pesquisei, então, qual seria o melhor pincel profissional que correspondesse ao que eu desejava naquele pincel específico da Escoda (firme e suave) e que também coubesse no meu bolso. Encontrei o Aqua Elite, da Princeton. A Princeton tem duas linhas principais: Aqua Elite (mais firmes) e Neptune (mais moles, para camadas mais aguadas). Os dois são da mesma qualidade, mas respondem a objetivos diferentes.

Encomendei o meu da Aqua Elite por cerca de 140 reais e, gente, nunca fui tão feliz pintando. Depois de passar anos com os meus amados pincéis, descobri que eu não sabia ainda o que era amor de verdade. Esse pincel não me deixa parar de pintar. Ele é feito de Kolinsky sintético, o pelo sintético mais adequado do mundo para a técnica de aquarela.

Com ele eu consigo a firmeza que eu queria quando descobri os vídeos de Liron Yanconsky. Descobri que ele apertava as tintas daquela forma por dois motivos: para fazer com que, em determinada região, as tintas se misturem mais; e para fazer com que o pigmento entre mais nas tramas do papel, deixando aquela cor mais “grudada” ali. Com os pincéis extremamente moles, esse efeito não fica tão interessante, porque, ao apertá-los no papel, eles também (adivinhem) liberam água. Isso causa uma mancha, e não uma mistura de cores.

Enfim, as manchas não são um problema e nem sempre devemos dominá-las por completo. Mas com ferramentas mais adequadas (e, infelizmente, mais caras) chegamos a resultados que mostram mais aquilo que gostaríamos. Por isso que eu falo para vocês que esse pincel me fez sair da paixão e caminhar rumo ao amor. Os outros pincéis eram bons, mas eu tinha que lidar com eles como eles são. Agora, Princeton e eu, não... aqui é diferente. Eu e ele construímos juntos aquilo que desejamos.

Só pode ser amor.



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  1. O que, transformado em euro ou em dólar, deve ser extremamente mais acessível para quem vive sob essas moedas. Esse é o eterno problema dos materiais de arte.