Nos últimos dias...
Comprei aquela garrafinha de limpeza de nariz. Não sei exatamente se o nome é esse, mas é aquela coisinha que você coloca soro e espreme para fazer uma lavagem interna. Que coisa maravilhosa! Uso todos os dias. Sinto que se eu ficar um dia sem usar, a minha percepção de respiração é totalmente outra.
Tenho me sentido um tanto atrasada com as demandas do trabalho. Já conversei com o pessoal lá e eles me falaram pra ficar tranquila, que o que importa é ir entregando alguma coisa em um ritmo mais ou menos cadenciado. Não tem problema se atrasar um pouco. Eu tô é de cara com essa gente. Eles são o meu sonho. E eu ainda fico aqui me sentindo mal, é mole? Muitas vezes temos que lutar também contra nós mesmos.
Tenho tido sonhos muito loucos e alguns também muito bons. Um dia, tentei até voltar a dormir para cair no mesmo sonho. Tem vezes que funciona.
Ontem fui finalmente assistir ao filme do Miranha e ainda não tenho forças pra falar sobre isso. Eu amei, mas senti que é diferente de tudo o que já fizeram nesse universo. É, portanto, um amor diferente. Mais maduro, mais robusto. Impressionante. Não achei mesmo que fosse ser uma coisa nesse nível de intensidade. Fui pensando que ia assistir a um filme sessão da tarde. Saí chorando da sala do cinema não por coisas bobas, mas por coisas densas. Uau!
Tenho comido mal e isso tem me deixado enjoada. Muita comida fora ou feita na pressa, sem pensar no cardápio. Hoje vou sem falta fazer um cardápio caprichado. No almoço, já penso que vou comer chuchu para ver se estabilizo um pouco o meu estômago.
Ontem fui também à livraria e namorei vários livros novos. Segue a listinha dos favoritos.
- O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe
- Por que escrever?, de Philip Roth
- Misericórdia, de Lídia Jorge
De todos esses da lista, acabei comprando um que não namorei tanto, mas que foi amor à primeira vista. Eu não sei o que é, mas sempre que vejo os livros nas estantes das livrarias e eles estão impecáveis, penso que posso comprar por preço melhor na famosa internet. Mas, quando vejo um livro assim como esse, meio acabadinho, sinto que estou diante de uma oportunidade única, e acabo aceitando o preço da livraria, mesmo que seja mais caro. Saí de lá com um Paul Auster surrado, mas que me conquistou. Eu adoro esse autor. Não li muitos volumes dele, mas os que eu li me divertiram bastante. É uma escrita simples, que fala da vida humana. Das nossas misérias, alegrias, mesquinharias, epifanias. Sempre perspicaz e, ao mesmo tempo, quase inocente.


Tenho sentido enxaqueca de vez em quando e fico me perguntando: será que a TPM já está por aqui? Meu último ciclo foi totalmente desregulado, acredito que por conta de stress do trabalho na editora anterior. Então, estou um pouco perdida aqui nas minhas contas. Enxaqueca é uma coisa que me acaba. Fico meio sem conseguir fazer mais nada. Os músculos todos tensos, e não sei se são eles que pioram a dor de cabeça ou a dor de cabeça que piora os músculos. Enfim, vou aproveitar para fazer uma yoga rapidinha, mesmo que seja só para alongar, e ver se dou uma melhorada nisso aí hoje.
Por falar em yoga, li esse texto do meu amigo th e adorei!! Pra quem nunca fez yoga: é exatamente assim que a gente se sente. É maravilhoso. É uma coisa que muda a gente em relação à vida mesmo. Me lembro até hoje do primeiro dia em que eu fiz uma prática completa. Talvez eu aproveite o embalo desse texto para falar de como foi comigo.
Acabei de reparar que eu tenho consulta médica marcada bem no dia de aniversário de 4 meses do blog! Coincidência? São sempre vocês me ajudando a passar pelos meus momentos difíceis...
Mas não pretendo deixar de fazer o textinho especial de “mêsversário”!
Dei uma pausa nas minhas leituras mais simples, como Heated Rivalry e Harry Potter e, depois do meu passeio na livraria, tirei do armário um Valter Hugo Mãe incompleto que eu tinha parado na metade (Educação da tristeza). Eu gosto de fazer isso de vez em quando. Retomar o livro que está parado há meses ou até anos naquele ponto exato em que o deixei. É engraçado ver como voltamos para ele de uma forma diferente.
Agora percebo também que eu tinha parado esse livro por conta da densidade dos temas. Mãe aborda muito a questão do luto, da morte, do amor depois da morte. Eu estava em um período difícil para isso. Era justo que eu parasse. Agora, mais forte, volto com outro olhar, e percebo a delicadeza de suas palavras.
A sua idade agora é nossa. Compete à nossa saudade. O que talvez a leve a ter mil anos, talvez dois mil. Se a idade for a conta da saudade numa multidão de amigos, ela fará um milhão, talvez dois milhões de anos.
Queremos inventar uma festa. Uma dessas festas cuja razão é triste, mas porque não podemos ter pretextos de tristeza quando se trata de amar. Amar tem de ser por alegria. Ninguém ama para sentir tristeza. Mesmo que tudo resulte em desgraça.1
Talvez eu esteja ansiando, nesses últimos dias, por coisas mais sérias. Me sinto com humor mais sério até aqui nesse blog. Tudo tem se tornado uma solenidade, até um filme do Homem-Aranha. Por isso que eu me pergunto: seria a TPM vindo aí ou sou só eu mesma que estou me tornando, nesses últimos dias, um pouco mais soturna? Não triste, mas sombria. Há certa alegria nisso também. Uma alegria íntima. Uma alegria de saber das suas dores, de conseguir conversar com elas.
Por fim, deixo anotada aqui essa outra frase de Valter Hugo Mãe que me deixou a pensar. Além do pensamento, é também belíssima: será que “saber é finalmente ter a impressão de chegar ao que sempre quis, sempre se esperou”?2
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