A vida de uma garota de 30 anos

Trago respostas

Hoje, trago respostas. Talvez elas não sejam tão completas ou satisfatórias, mas, ainda assim, são respostas. “Respostas para o quê?”, vocês podem estar se perguntando. Pois bem. Tive uma ideia aqui e, se vocês acharem bacana, posso prosseguir com ela.

É o seguinte: pensei em fazer um tipo de texto meio fixo aqui no blog, mas sem datas marcadas nem nada do tipo, respondendo a perguntas que vocês queiram me fazer sobre qualquer coisa. Se eu achar que cabe, posso responder aqui em um texto para o blog. O que acham? Se tiverem alguma pergunta e quiserem que ela apareça assim em um texto, podem me escrever via e-mail ou guestbook.

A pergunta de hoje é da Luciana, do blog o sol na cabeça, que eu amo. Bora lá!



Adorei o texto sobre a escrita, mas ainda queria saber como é essa rotina. Você escreve todo dia na mesma hora? Senta e escreve quando bate a inspiração? Me impressiona que tenha tanto assunto pra todo dia.


Luciana, pois é!! Me impressiona também que tenha assunto para todos os dias. Mas a verdade é que eu sempre fui muito conversadeira, desde muito pequena. No jardim de infância, já costumava matar aula para ficar papeando com os coleguinhas e as professoras. Passava horas pendurada nas janelas de salas de aula alheias. Fazia de tudo para dar uma escapada e conversar com os bedéis no portão da escola.

Quando cresci, esse hábito permaneceu. Sempre fui fã de matar aula, apesar de ser uma pessoa estudiosa, que preza pelo conhecimento e tudo mais. E, nessas matanças de aula, sempre conversei muito, demais, sem parar. Sou daquelas que adorava virar madrugadas só pra botar um papo em dia. Hoje, não sei se conseguiria ficar acordada até tão tarde, mas certamente aceitaria passar horas conversando no meio da tarde em um lugar qualquer.

Acontece que fui crescendo e tendo cada vez menos interlocutores que me interessavam. Por motivos que agora não cabem, sinto que talvez todo esse assunto que eu tenho aqui no blog é mais ou menos o efeito de ter ficado tanto tempo sem “botar o papo em dia” com inúmeras pessoas que antes preenchiam os meus dias.

Enfim, pode ser que, no meu passado, tudo isso que eu fico aqui a escrever para vocês simplesmente fosse falado por aí, para ouvidos interessados ou não. E, por isso, mesmo que os dias que eu tiro de “folga” aqui do blog sejam bons, ainda sinto que perdi a possibilidade de “jogar para fora” essas coisas, sabe? É uma parada esquisita. Mas toda vez que eu escrevo eu sinto que é uma necessidade quase que insuportável de botar alguma coisa para fora. Se eu não escrevo para o blog (ou “falo” com o blog), o meu dia fica mais pesado, mais denso, menos disposto. Escrever aqui é quase que o meu expurgo, mas sem culpa, sem tristeza, sem raiva. Sinto que encontrei algo que realmente me ajuda.

Dessa forma, não é brincadeira, sinto que tenho um assunto infinito. Você não tem ideia de quantas e quantas coisas ainda quero falar aqui no blog. Não sei realmente quando isso vai acabar. Não há um dia em que eu penso que eu “não tenho assunto”. Talvez eu pense que não estou com vontade de escrever em tal hora, que estou mais preocupada com outras coisas, que o trabalho me exige de uma forma que vou ter que me dedicar menos para o blog. No entanto, ainda não vivi essa ocasião que leio de alguns blogueiros, a famosa “falta de assunto”. Claro que imagino que um dia isso vai acontecer. Mas por enquanto ainda não senti que não tenho absolutamente nada a escrever.

Tem dias que eu imagino que vou falar de uma coisa e acabo falando de outra. Mas sempre tem essa outra coisa que aparece, sabe? Então também me assusta o fato de eu sempre ter assunto. Não sei. Talvez seja alguma fonte infinita de palavras que deixei de dizer por muito tempo, e que agora jorram sem que eu me esforce para isso.



Sobre a rotina e o horário em que eu escrevo: eu diria que isso varia, sim, mas que há, de certa forma, uma “regra estabelecida”. Eu escrevo mais ou menos no mesmo horário, todos os dias. Esse horário é quase sempre quando eu acordo. Assim que acordo, já estou com o assunto em mente – seja porque anotei no caderninho anteriormente, seja porque me veio na cabeça logo que levantei. Preparo meu café, me alongo, leio um pouco, se for da minha vontade, e, aí, sento na frente do computador e escrevo. Dependendo do texto, essa atividade pode me tomar entre 20 minutos e 2 horas. Depende também de como estou com as tarefas do dia, se preciso correr com as coisas ou não.

Como trabalho com um horário relativamente autônomo, costumo viver esse pequeno ritual diário entre as 7h e as 10h da manhã, dependendo de como está o meu dia.

Agora, há exceções. Se eu acordo e não estou nem um pouquinho com vontade de escrever, deixo estar. Há dias nos quais eu penso que não vou escrever nada mesmo, que a necessidade virá só no dia seguinte, ou, quem sabe, daqui a uma semana. Mas é batata. Passa um tempo, alguma coisa se arranja em mim e, de repente, me vejo aqui, escrevendo para o blog.

De vez em quando, fico muito inspirada e começo a escrever na noite anterior o texto do dia seguinte. Às vezes escrevo só um rascunho, um esqueleto a ser incorporado em algo mais robusto, indicações de onde eu quero que as fotos entrem, as citações, as músicas. Outras vezes, como é o caso desse texto, ele já fica 100% pronto. Escrito por inteiro mesmo. No dia seguinte, acordo, reviso e publico.

Então, talvez eu escreva, sim, quando estou inspirada. Nunca me forço a escrever se não tenho vontade. Acontece que a vontade sempre veio. Não da mesma forma, não com a mesma intensidade, não no mesmo horário. Mas sinto que a vontade aparece para nós de diversas formas, e precisamos saber entender cada uma delas. Por isso, quanto à rotina, no final das contas, tudo depende. Mas, na grande maioria das vezes, escrever é a primeira ou a última tarefa importante do dia.



Espero que tenha respondido às suas perguntas de forma satisfatória. Se não, pode me mandar outras, que eu terei prazer em tentar novamente.


Aliás, aproveitando que o assunto é esse, deixo indicado que, como o assunto não acaba (por algum acaso, dor ou milagre), criei também uma nova page para funcionar como microblog. Roubei essa ideia do seu blog e também de outros que andei me apaixonando por aí. Ela vai ficar, assim como as demais, fixada no menu inicial.

Ainda não sei como essa seção vai funcionar. Lista de compras? Resumo de ideias mais para que eu mesma me recorde do que para que vocês entendam alguma coisa? Atualizações bobas sobre a minha vida que talvez ninguém queira saber? Veremos. Também não sei como eu vou me adaptar a essa coisa de escrever textos mais “instantâneos”. De qualquer forma, contarei tudo para vocês, porque, como vocês viram, falar e escrever são coisas que não me trazem tanta dificuldade assim.


Muito obrigada, Luciana, e quem mais estiver lendo até aqui, pelo carinho com o meu blog.


Um beijo,

Uma garota de 30 anos



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