Blogs, blogs e blogs...
Livre
das dentadas do mundo
Já não terás, no fundo, desejo profundo
por nada que não seja bom
Não mais
que um pedaço de tábua
A boiar sobre as águas
Sem destino nenhum1
Gente, preciso dizer para vocês que estou simplesmente amando o BEDA – para mim, ao contrário do que diz o ditado popular, parece que “abriram as comportas do paraíso”. Na minha terra, seria BEDA todo dia. Que delícia poder ler de tudo um pouco da perspectiva de gente interessada.
Para começar, preciso evidentemente citar o projeto que movimentou todo mundo para que isso fosse possível, o BEDA do Entreblogs. Pelo que eu entendi, ele foi criado pela Bárbara e pelo Igor. Gente, que primor, que dedicação, que terreno fértil. Que coisa linda!
Adorei tudo o que os dois inventaram para fazer com que o BEDA acontecesse: os temas, o mundo, os personagens (não estou tão habituada a esse tipo de linguagem, então me desculpem se eu falar alguma bobagem). Só queria dizer que achei tudo uma graça, uma coisa de dádiva mesmo, de esbanjamento e também de humor. E, para finalizar, é preciso uma generosidade muito grande para erguer um projeto desse tamanho e deixar com que os outros também inventem o seu modo de ser dentro daquilo que você criou. Achei tudo o máximo!!
Por conta do BEDA, estou assim: navegando por blogs, blogs e blogs desde o final de semana. Já leio os meus habituais de sempre, mas agora estou conhecendo também outros mares, montanhas, árvores, bichos, perspectivas e gentes.
É isso o que eu mais gosto desse formato dos blogs: a gente não está interessado em reduzir as coisas para que elas se encaixem em uma opinião ou outra. Estamos sempre construindo meias respostas, elaborando mais e mais perguntas, chegando a lugar nenhum, ou ao meio do caminho, onde nos encontramos uns com os outros. É como disse a Karina, do Quase Aurora: vai ver estamos todos em construção mesmo.
Também disse algo muito parecido a minha (já) amiga do blog Garrafas ao mar: a nossa conexão por aqui é de outra qualidade. Em meio a esse mundo de redes sociais – e redes reais que apenas espelham as redes virtuais – estaríamos nós começando a nos encontrar em mar aberto, cada um dentro do seu barquinho, montado na sua jangada, imerso no seu submarino, ou ainda, a bordo de um navio, se segurando nas boias, nos botes infláveis ou em troncos de árvores? Teríamos todos começado a jogar as nossas garrafas ao mar e, de repente, descoberto que temos, afinal, correspondentes?
E, por falar em mar, eu acho o máximo que aqui podemos falar sobre um dos filmes mais aguardados do ano – que, como todas as coisas desse porte, acabam, muitas vezes, engolfadas em polêmicas estéreis – e discutir sobre o que realmente importa para cada um de nós. Isso não significa que precisamos concordar uns com os outros em todos os aspectos. Pelo contrário, me agrada muito ver como conseguimos discordar com elegância. Li três perspectivas diferentes sobre o filme A Odisseia (2026), e todas elas me agradaram muitíssimo mais do que as centenas de diálogos rasos e posts que vi circulando por aí. Será que é porque aqui a gente tem mais espaço para ser de verdade?
Fiquem com as palavras dos meus companheiros nessa grande viagem:
A Odisseia do Nola, do th
Sobre a Odisseia, do cdbm
A Odisseia, da Luly Lage
Para além da Odisseia, por aqui é sempre possível encontrar gente que sabe desvendar outros mundos, e, de certa forma, também o nosso. Para a nossa sorte, os dois são exímios escritores! Ah... quantos e quantos livros eu leria se eu soubesse que são escritos por essas mãos?!
Carta aos Aventureiros de Sgolbertne, da Bruna, do Fala, Catarina
Sobre QUEIMADO, do Kay
Ilha rá-tim-bum. Não sei exatamente por que, mas essa mistura de fantasia do BEDA, com o mar, a música do Gil que coloquei na abertura do texto e a Odisseia me fez desembocar na saudosa ilha da minha infância. Alguém também se lembra dela?
Os blogs também são lugares para tratarmos do nosso cotidiano, organizarmos as nossas ideias, encontrarmos sugestões, divagações, acontecimentos da vida dos outros. Saímos daqui com um sorriso, torcendo para que o projeto de alguém que “a gente nem conhece” dê certo. Ficamos tristes quando sabemos sobre as suas dores, nos sentimos abraçados quando lemos palavras que soam parecidas com as que vagueiam pela nossa cabeça.
Nos últimos dias, me peguei adorando as artes da Keith, as pipas do Jd. Monjolo, onde vive a A., e até a mãe da Bárbara!
Quantas e quantas vezes me senti como a Luciana diante da morte de uma árvore centenária depois de um apagão daqueles? E não sou eu a própria xis, do arantchans, que se apaixona por qualquer coisa a cada esquina?
São dessas pequenas e cotidianas coisas que a gente vive. Mas, de vez em quando, também somos tomados pelas nossas loucuras! Vocês acreditam que tem gente até... me convencendo a ir para a academia?
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Gilberto Gil. Pessoa nefasta. A raça humana, 1984.↩