Paquetá em Marte
Dia desses recebi uma mensagem que tinha uma daquelas notícias absurdas que nos fazem parar de vagar pelo celular ininterruptamente.
No primeiro momento, dei umas boas risadas e segui a vida. Mas não é que depois do primeiro jogo do Brasil contra Marrocos eu me peguei mesmo desejando que o Raphinha fosse dar uma volta em Plutão, Paquetá, em Marte. Quis que o Casemiro fosse para outra galáxia, que o Ancelotti sumisse do planeta Terra.
Mas o papel do torcedor é, no final das contas, torcer. E lá estava eu, diante da televisão, às 21h30, para acompanhar Brasil (3) x (0) Haiti. Como o segundo jogo resolveu, mas não enfeitiçou, acharam de bom tom posicionar Ronaldinho Gaúcho, o Bruxo, na boca do túnel que leva os jogadores até o gramado, na partida contra a Escócia. Proferiu suas palavras mágicas ao pé do ouvido dos convocados. Futebol também é encantamento, coisa de outro mundo.
Depois que fomos benzidos, não tinha como ser diferente: o Brasil jogou bem. Vinícius Júnior marcou 2, fora o que foi anulado pelo juiz, aos meus olhos, injustamente. Nessa Copa do Mundo, a praxe tem sido deixar a porrada comer solta. Vini encostou na perna do adversário e já foi suficiente para ter seu gol anulado? Se tivesse marcado 3, estaria na liderança da artilharia da Copa, ao lado de ninguém mais, ninguém menos que Lionel Messi, o eterno craque do Barça.
E, por falar em Barça, a seleção brasileira precisou “importar” Carlo Ancelotti, técnico que ajudou Vini Júnior a se tornar a maior estrela do Real Madrid dos últimos anos, para que as coisas começassem a andar. Além de Vini, Ancelotti conhece muito bem as habilidades de Rodrygo, Casemiro, Éder Militão e Endrick, que também foram seus comandados na Espanha. Afinal, sempre ficava aquela pergunta na cabeça do torcedor: se o Brasil tem tantas estrelas no clube merengue, um dos mais vitoriosos da história do futebol, como não conseguimos fazer emplacar a seleção? Pois que chamem então o técnico que faz tudo isso acontecer, e deixem ele “tecnicar” por aqui! Estamos começando a colher os frutos, ainda que tímidos, ensaiando uma exuberância maior? Talvez, talvez...
O fato é que dava para o placar ter sido mais elástico, não por falta de oportunidades ou por erros individuais, como no jogo do Haiti, mas por questão de poucos centímetros. Rayan quase desencantou. A torcida aprovou. As entrevistas deixaram os jogadores e o técnico desfrutarem da vitória. A desconfiança parece estar indo embora. E, para coroar a boa fase, as palavras do Bruxo parecem ter afetado não somente o Brasil, mas também o Haiti, que marcou 2 contra Marrocos. Mesmo com os 4 gols dos marroquinos no jogo, eles não puderam se classificar em primeiro lugar do grupo, porque o Brasil, com um saldo de 6 gols, ficou com 3 na frente deles.
É! As coisas parecem ter começado a se encaixar. Cedo demais para dizer isso? Talvez, talvez... Mas vitória é momento, e temos que comemorar. Por isso, quero, sim, Paquetá em Marte. Neymar extraterrestre, a zaga toda protegida pelos anéis de Saturno. Quero, sim, Matheus Cunha surfando em Netuno, Vini acima do Sol, Endrick “astronauta libertado”. Quero amar as nossas cinco estrelas e desejar a sexta, para que todos os garotos e garotas que ainda têm aquele brilho no olhar sejam, como os Mutantes, “parceiros do futuro na reluzente galáxia”.
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