A vida de uma garota de 30 anos

Paquetá em Marte

Dia desses recebi uma mensagem que tinha uma daquelas notícias absurdas que nos fazem parar de vagar pelo celular ininterruptamente.


Et


No primeiro momento, dei umas boas risadas e segui a vida. Mas não é que depois do primeiro jogo do Brasil contra Marrocos eu me peguei mesmo desejando que o Raphinha fosse dar uma volta em Plutão, Paquetá, em Marte. Quis que o Casemiro fosse para outra galáxia, que o Ancelotti sumisse do planeta Terra.

Mas o papel do torcedor é, no final das contas, torcer. E lá estava eu, diante da televisão, às 21h30, para acompanhar Brasil (3) x (0) Haiti. Como o segundo jogo resolveu, mas não enfeitiçou, acharam de bom tom posicionar Ronaldinho Gaúcho, o Bruxo, na boca do túnel que leva os jogadores até o gramado, na partida contra a Escócia. Proferiu suas palavras mágicas ao pé do ouvido dos convocados. Futebol também é encantamento, coisa de outro mundo.

Depois que fomos benzidos, não tinha como ser diferente: o Brasil jogou bem. Vinícius Júnior marcou 2, fora o que foi anulado pelo juiz, aos meus olhos, injustamente. Nessa Copa do Mundo, a praxe tem sido deixar a porrada comer solta. Vini encostou na perna do adversário e já foi suficiente para ter seu gol anulado? Se tivesse marcado 3, estaria na liderança da artilharia da Copa, ao lado de ninguém mais, ninguém menos que Lionel Messi, o eterno craque do Barça.

E, por falar em Barça, a seleção brasileira precisou “importar” Carlo Ancelotti, técnico que ajudou Vini Júnior a se tornar a maior estrela do Real Madrid dos últimos anos, para que as coisas começassem a andar. Além de Vini, Ancelotti conhece muito bem as habilidades de Rodrygo, Casemiro, Éder Militão e Endrick, que também foram seus comandados na Espanha. Afinal, sempre ficava aquela pergunta na cabeça do torcedor: se o Brasil tem tantas estrelas no clube merengue, um dos mais vitoriosos da história do futebol, como não conseguimos fazer emplacar a seleção? Pois que chamem então o técnico que faz tudo isso acontecer, e deixem ele “tecnicar” por aqui! Estamos começando a colher os frutos, ainda que tímidos, ensaiando uma exuberância maior? Talvez, talvez...

O fato é que dava para o placar ter sido mais elástico, não por falta de oportunidades ou por erros individuais, como no jogo do Haiti, mas por questão de poucos centímetros. Rayan quase desencantou. A torcida aprovou. As entrevistas deixaram os jogadores e o técnico desfrutarem da vitória. A desconfiança parece estar indo embora. E, para coroar a boa fase, as palavras do Bruxo parecem ter afetado não somente o Brasil, mas também o Haiti, que marcou 2 contra Marrocos. Mesmo com os 4 gols dos marroquinos no jogo, eles não puderam se classificar em primeiro lugar do grupo, porque o Brasil, com um saldo de 6 gols, ficou com 3 na frente deles.

É! As coisas parecem ter começado a se encaixar. Cedo demais para dizer isso? Talvez, talvez... Mas vitória é momento, e temos que comemorar. Por isso, quero, sim, Paquetá em Marte. Neymar extraterrestre, a zaga toda protegida pelos anéis de Saturno. Quero, sim, Matheus Cunha surfando em Netuno, Vini acima do Sol, Endrick “astronauta libertado”. Quero amar as nossas cinco estrelas e desejar a sexta, para que todos os garotos e garotas que ainda têm aquele brilho no olhar sejam, como os Mutantes, “parceiros do futuro na reluzente galáxia”.




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