A vida de uma garota de 30 anos

Ninguém sabe que eu sou blogueira

É verdade! Ninguém que me conhece “na vida real” sabe que eu tenho um blog e que escrevo para ele todos os dias. (Ok, temos que ser justos: a não ser a minha psicóloga, como já revelei em um texto anterior. No entanto, sem menosprezar a queridíssima: será que isso realmente conta? Ainda não sei.) O fato é que ninguém sabe que eu sou “blogueira” e escrevo nesse blog específico. E, vocês, leitores, não sabem “quem eu sou”, apesar de me conhecerem mais verdadeiramente do que muita gente que “me conhece”.

Que imbróglio eu criei para mim! No entanto, devo dizer que, ao menos neste momento, ele me satisfaz. Quer dizer, não trato isso como um segredo de vida ou morte. Apenas não senti ainda a vontade de contar sobre o blog para ninguém que eu “conheço”, e também não senti a necessidade de revelar a minha “identidade” para vocês. No entanto, vocês criaram, junto comigo, um lugar em que eu fico à vontade. Aos poucos, sinto que conto cada vez mais detalhes sobre a minha vida, os meus sentimentos, as minhas angústias e também as minhas delícias. Não estou exagerando quando digo que vocês me conhecem mais verdadeiramente do que muitas pessoas do meu convívio: porque aqui tenho espaço, tempo e paciência para ser escutada com interesse. E, por isso, não tenho nem como dimensionar o tamanho do meu agradecimento.

Esse é meio que um texto comemorativo, afinal, faz exatamente 1 mês que eu estou aqui todos os dias com vocês, escrevendo não importa o tempo. Hoje mesmo chove copiosamente em São Paulo desde cedinho. O frio úmido nos corrói os ossos. Eu sigo aqui, com meu caderninho, meu café e minhas mãos geladas. Com vocês.


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A verdade sobre o blog, e devo dizê-la a vocês que me acompanham, é que eu nunca o imaginei como algo assim. Algo assim como? Em primeiro lugar: com leitores. Em segundo: com constância. Em terceiro: com tamanha liberdade. Sinto que essa é uma das primeiras coisas que eu faço em muito tempo que me dá extremo prazer. Em nenhum momento me sinto vinculada a nenhuma obrigação. Estou aqui porque quero. Sem nenhuma expectativa sobre mim. Sem nenhuma expectativa para escrever o melhor texto do mundo. Apenas estou aqui. E isso já me basta. Aliás, dizer que isso me basta é diminuir muito essa experiência: e isso já me faz transbordar de alegria ao acordar, todos os dias – isso sim é mais justo.

Vocês podem estar achando isso tudo uma declaração de amor meio louca, à la Cazuza, “jogado aos teus pés”. É verdade, talvez eu seja mesmo exagerada. No entanto, esse blog virou a minha vida de ponta cabeça, da noite para o dia. Me fez tirar o foco de tantas coisas ruins que eu estava submersa há anos, e que ainda estão presentes na minha vida cotidianamente. Não nego a realidade. Toda dor e todo luto merecem respeito. Mas o blog abriu um espacinho em mim para coisas boas, boas de verdade.


Esse espacinho começou a ser aberto com a ajuda da minha psicóloga. Em uma sessão de terapia, falando sobre outros assuntos, ela me disse: tente pensar sobre essa questão e, se precisar, escreva! No dia seguinte, tive aquele fatídico sonho que já relatei para vocês no meu primeiro texto. E, por fim, acabei levando as palavras dela talvez de forma literal demais: passei a escrever “para sempre”. Recentemente, enviei para ela o texto Ressaca de Brasil, por conta da Copa do Mundo. No final de uma sessão ela me perguntou: e o texto da Copa, vai escrever quando? Mal sabia ela que eu já estava maquinando tudo desde o momento em que assisti ao jogo. Abaixo, segue a resposta dela. Eu disse para vocês que ela é uma queridíssima. Nesse momento, começo a achar que a minha resposta sobre questão da psicóloga, alguns parágrafos acima, é que “sim, ela conta muito”.


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Voltemos para o início, quando o blog ainda nem tinha nascido. No dia seguinte do fatídico sonho, animada, pesquisei na internet qual seria a melhor plataforma para criar o meu blog. Tentei fazer uma conta no Write.as, mas como só tinha opção paga, desisti. Era o destino me chamando: eu tinha que estar aqui no Bear Blog. Já comentei também em outros textos o quanto eu amo esse espaço e o ritmo que ele me permite. Penso que temos a conexão na dose certa, sem se atrapalhar com métricas, likes, “chuvas de comentários” que não importam. Sinto que, ao ler os textos de vocês, conheço um pouquinho mais da vida e dos gostos de cada um. Aqui, temos total liberdade para escolher como vamos fazer as nossas coisas. Era disso que eu precisava: menos pressão, menos o que deveria ser e mais o que realmente é.

E o que realmente é às vezes pode ser surpreendente, pode mudar com um simples gesto. Foi o que aconteceu comigo. Antes de criar esse blog, o dia 24 de junho era um dos mais tristes do meu calendário, por um fato específico1. Novamente, as moiras agiram sobre o meu fio da vida: eu criei o blog exatamente no dia 24 de maio, e, hoje, 24 de junho, estou verdadeiramente feliz por ter completado 1 mês de blog e de escrita diária. Claro que ainda existe dor quando penso nessa data específica. Mas agora ela coexiste, no mesmo cômodo, com essa outra coisa, tão boa, tão nova.

E de pensar que tudo isso começou porque eu quis escrever um texto sobre um sonho meio sério e meio bobo que eu tive, na noite do dia 23 para o dia 24 de maio de 2026. Se tem uma coisa que fica sobre a alegria que sinto agora com esse blog é: tente! Experimente! A gente nunca sabe quando a vida pode ser maravilhosa.




Mais uma vez, um muito obrigada a todos vocês que me acompanham, aos visitantes que dão uma passada de vez em quando e aos que já “são de casa”. Vocês não sabem o quanto a minha vida foi transformada só porque vocês leem umas bobagens que eu escrevo, mas garanto que faço sempre de coração.


Com muito, muito amor, em um dia muito, muito frio

Uma garota de 30 anos


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  1. Claro que tem também o aniversário de Lionel Messi, mas esse fato é tão distante quando comparado com os nossos monstros que vivem debaixo da cama que não tinha força para se configurar como uma compensação justa.