A vida de uma garota de 30 anos

O que tenho lido? (Inverno de 2026)

Esse texto está super atrasado porque esse mês foi uma montanha-russa para todo mundo, né não? Mas o que importa é que estamos todos aqui reunidos, depois de passar mais uma estação na companhia dos livros. Quem está por aqui há mais tempo sabe que esse é um tipo de texto que eu me comprometi a fazer a cada estação para deixar tudo bem organizado na Biblioteca. Assim, aproveito também para organizar a minha mesa de canto, as estantes e a mesa de trabalho, que, como vocês também sabem, acumulam pilhas e pilhas de volumes. Sem mais delongas, vamos aos livros dessa estação.


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Literatura


1. Escute as feras, de Nastassja Martin ✓

Esse livro se tornou um dos meus favoritos de toda a vida. Escrevi tanto sobre ele aqui no blog em outros textos que vocês até vêm me contar quando já leram ou começaram a ler. Fiquei sabendo que esse livro conquistou o coração da aggie e fisgou o th nas primeiras páginas. Ele tem a sua forma de nos envolver.

Agora que acabei de lê-lo por inteiro, posso dizer que a história é magnífica, a forma de narrar é instigante, mas o que me conquistou mesmo é a sensação maravilhosa que eu tive ao ler o relato de uma companheira de profissão. Achei tão incrível como ela conseguiu verbalizar tantos dos males e das benesses do ofício que nós, os antropólogos, sentimos cotidianamente. A ideia aqui é ser jogo rápido, então vamos para o próximo livro, mas duvido que essa a história desse encontro com um urso não continuará a aparecer para sempre em muitas outras coisas da minha vida.

Ah, mas antes de passar para o próximo, só queria deixar registrado que até mesmo o meu interesse recente pelo estudo dos povos do Ártico e pelo bordado russo, o meu retorno à Antropologia clássica, a nova lufada de ar fresco que varreu a minha vida, ar este que provém da possibilidade infinita que vivenciamos ao buscar compreender culturas totalmente diferentes da nossa... tudo isso pode ser colocado na conta de Nastassja Martin. Que fôlego!


2. Os gatos do Louvre (vol. 1), mangá de Taiyo Matsumoto ✓

Esse livro é uma das coisas mais lindas que eu já li em toda a minha vida. É de chorar. O desenho é caprichado, minucioso. A história é cuidadosa, delicada, leve e ao mesmo tempo profunda. Pretendo ainda trazer um texto só sobre ele, porque acho que ele merece. A coleção só tem dois volumes, o que ajuda bastante no mundo dos mangás, porque não se desdobra em uma coisa infinita e, infelizmente, cara. Taiyo Matsumoto é conhecido pelos seus desenhos, que são incríveis e muito inovadores dentro do mundo dos quadrinhos. Mas esse livro me derreteu mesmo pela história, que é um deslumbre à parte. Coisa fina, sensibilidade oriental.

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3. O grande caderno, de Ágota Kristóf ✓

Devastador. Não se aproxime desse livro com calças curtas, porque você já sabe que ele vai te derrubar. Ao mesmo tempo, Ágota é de uma inteligência tamanha que é capaz de, no meio desse tombo, você começar a achar que mereceu mesmo cair dentro desse abismo. Cenário difícil, assunto inesgotável: Segunda Guerra Mundial e todos os seus desdobramentos. Perspectiva, ao contrário, inédita: um mundo que se reforma e se recompõe depois de ter sido arrasado por uma violência insondável é analisado pelo olhar infantil (e nem por isso ingênuo) de dois irmãos gêmeos. Imaginem só que coisas diabólicas esses dois têm para nos dizer!!


4. S. Bernardo, de Graciliano Ramos (114 de 191 páginas)

Graciliano Ramos nunca faz mal, e esse livro é mais uma prova disso. Não entendi o motivo para eu ter parado de lê-lo. Talvez porque fui atropelada por outras demandas e porque o meu interesse é demasiadamente difuso, mas com certeza é um livro que vale a pena a leitura completa. A segunda obra de Graciliano Ramos apresenta uma série de elementos biográficos e de coincidências com a sua própria vida. Ao mesmo tempo, o livro é recheado de revolta, de realidade sertaneja, de miséria de um Brasil ainda visto como “terra sem lei”. Não à toa, Graciliano é, até hoje, um de nossos maiores mestres.


5. Norwegian Wood, de Haruki Murakami (203 de 359 páginas)

Pensa em um caso de amor e ódio – é esse livro. Não consigo me decidir, gente. Pelo menos de tédio ele não me mata.


6. Song of myself, de Walt Whitman (26 de 111 páginas)

Esse livro eu li pouquíssimo, porque ele é meio que o meu “levanta-defunto”. Tem pouca coisa que consegue me colocar em um estado de espírito de extremo amor à vida como consegue Walt Whitman. Para mim, um dos maiores poetas de toda a história humana. Então, talvez meio que de forma inconsciente, eu acabo o guardando para devorar aos pouquinhos. Sabe quando a gente monta um prato e deixa um pedacinho do melhor alimento para o final? É assim que eu leio tudo desse autor. E fico repetindo, na minha cabeça, aquelas frases maravilhosas, copio trechos em meus cadernos, leio e releio inúmeras vezes as mesmas passagens...


7. Hinos homéricos, de vários autores (? de 573 páginas)

Esse daqui eu comprei por conta de um curso que fiz sobre a deusa Ártemis. Não sei exatamente o quanto dele eu li, uma vez que realizei essa tarefa em pedaços esparsos e diversos, intercalando trechos teóricos e hinos completos ou fragmentados. Esses textos são poemas de vários autores que eram recitados em festivais públicos nas pólis gregas. Eles eram entoados pelos rapsodos, declamadores profissionais, e não eram cantados, como o nome sugere.

A leitura principal que eu fiz desse livro foi o Hino Homérico 5, o Hino à Afrodite, por conta do curso. Ali, o nosso objetivo era compreender a relação entre a deusa do amor e a deusa da caça, Ártemis. No entanto, é uma ótima história de literatura, boa para ler na cama antes de dormir, porque conta o caso em que Zeus, muito furioso com as peripécias amorosas de Afrodite, fez a deusa se apaixonar por um mortal. O que sai dessa maldição que Zeus lhe roga é algo digno de novela. É também nesse hino que ficamos sabendo que Afrodite fica grávida do bebê Eneias, mortal que fundou, de acordo com a Eneida, de Virgílio, a cidade de Roma. Uau! É ou não é novelão?


8. Histórias de leves enganos e parecenças, de Conceição Evaristo (51 de 112 páginas)

Fiz essa semana mesmo um texto sobre esse livro. Não acho que muita coisa mudou de lá pra cá em relação aos meus sentimentos com essa obra, mas sei que Conceição se tornou uma das minhas grandes inspirações quando se trata do artifício da escrita e de saber comover.


9. Heated Rivalry, de Rachel Reid (264 de 398 páginas)

Sem palavras para o quanto estou me divertindo lendo esse livro. Já falei um monte dele aqui para vocês em outros textos mais leves sobre o dia a dia e pretendo continuar fazendo isso. Também combinei de escrever, junto com a Julie, minha companheira de fandom, um texto sobre o livro inteiro quando a gente finalizar a leitura. Estou achando tudo o máximo!!


10. Ilíada, de Homero (20 de 715 páginas)

Reli o canto I da Ilíada em uma série de noites em que eu estava muito insone por conta de remédios para bronquiolite. Acho que o tema também não colaborou muito para o sono vir, porque a gente fica vidrado lendo isso aqui. Fiz três textos para o blog onde contei um pouco dessa experiência.


11. Harry Potter e o cálice de fogo, de J.K. Rowling (ou Hermione, se você preferir) (82 de 582 páginas)

Quem é que não se rende a um Harry Potter debaixo das cobertas em pleno inverno?

Eu amei voltar um pouco para a minha meninice e me aventurar em algumas páginas desse que foi um dos meus livros preferidos quando eu era mais nova. Sempre que eu preciso de um aconchego na minha vida, acabo apelando para o universo de Harry Potter. Aliás, sei que estou prometendo há séculos, mas não vou deixar passar esse dia das bruxas sem o esperado texto sobre As relíquias da morte. Podem confiar!!


Estudos naturais


12. A origem das espécies, de Charles Darwin (36 de 794 páginas)

Essa letiura é uma curiosidade que eu tenho há muitos anos. Quem nunca quis ler esse livro? Acontece que ainda não consegui começar a ler propriamente o Darwin, porque me perdi no prefácio digno de Darwin feito por Pedro Paulo Pimenta. Rendeu até um texto aqui para o blog:


13. Animais arquitetos, de Juhani Pallasmaa (28 de 189 páginas)

Esse livro é uma belezura só. Cheio de imagens incríveis, mas também de premissas que me fizeram ter vontade de ler primeiro um pouco mais de Darwin para ter mais propriedade antes de me aventurar nos assuntos propostos por Pallasmaa. No entanto, acredito que essa pausa para retornar a Darwin é, de certa forma, uma “nerdice” minha, porque a linguagem é simples, o assunto é interessante e daria para seguir em frente sem hesitar. Eu que sou assim mesmo: detalhista talvez de uma forma extrema.


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Por hoje é isso, minha gente! E vocês? O que têm lido por por aí?



Um beijo,

Uma garota de 30 anos



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